sábado, 30 de dezembro de 2017

O direito de ficar só


     Antes de mais nada irei falar um pouco sobre o meu detonado dedão do pé esquerdo, para assim poder chegar com maior clareza ao propósito do título da postagem.
    Ultimamente tenho falado tanto nesse meu pé que cheguei seriamente a pensar em mudar o nome do blog para "Queixas de um elemento com hálux rigidus"...
    Como a maioria dos leitores devem saber, o máximo de atendimento nessa área que consegui do SUS nesses anos de luta foi uma palmilha, que, além de não aliviar merda nenhuma, acabou detonando o meu joelho, pelo simples fato dela não ser moldada de acordo com o tênis que uso com mais frequência. Os caras simplesmente metem o seu pé no gesso e moldam a palmilha. E ela, como num passe de mágica, terá que servir para todos os tipos de calçados possíveis....
    Então, há cerca de um ano atrás enviei despretensiosamente um email para a rede Sarah, que faz uma atendimento gratuito na área de ortopedia aqui em Belo Horizonte.
    Cerca de oito meses depois, quase sem esperanças, recebo a resposta da rede Sarah, com a confirmação do atendimento, que é excelente. Além das confortáveis acomodações, a rede Sarah tem um ótimo atendimento e organização. Até dormi na hora de fazer a ressonância magnética, apesar de ter um pouco de medo de entrar naquele tubo. Mas o exame foi as sete horas da manhã e ainda por cima tinha que estar em jejum... E colocaram um travesseiro novinho e cheiroso... Então quase dormi naqueles 20 minutos que fiquei ali dentro, no meio de uma barulheira enorme, parecia fogos de artifício...
    Os exames apontaram, além da já falada lesão no dedão do pé esquerdo, uma fratura por stress no dedão do pé direito. Afinal são três anos andando de maneira incorreta, sobrecarregando por demais as articulações, principalmente da perna direita. O corpo mais cedo ou mais tarde cobra esse errado andar. Ano passado tive que conseguir uma muleta através do facebook para ir ao hospital, pois o tornozelo não aguentou a carga.
tornozelo detonado
    Tudo ia muito bem na rede Sarah, até o dia em que mostrei o relatório da "psiquiatra" do posto de saúde onde consulto para pegar o "pan nosso de cada dia".
    Só havia consultado com ela três vezes, e pouco ou quase nada conversei. A função dela no meu caso era apenas preencher a receita do ansiolítico... Mas ela fez questão de mencionar no relatório que não tomo os antipsicóticos e que tenho o quadro compatível com F-20, que não é a caminhonete, e sim a esquizofrenia paranoide. Só assim para pobre como eu ter F-20...
     Essa simples menção ao fato de não tomar o antipsicótico foi o suficiente para impedir a minha cirurgia neste hospital. O SUS, além de não nos atender, de nos enrolar, de nos esculachar, ainda nos impede de ter um atendimento digno em um outro local. Minha qualidade de vida está um lixo, tanto fisicamente como mentalmente, e o início da melhora com certeza não passa pela administração de mais medicamentos e sim a melhora no meu pé para que eu possa voltar a andar normalmente e que as dores sumam. E assim eu tenha a possibilidade de fazer algo que realmente melhora a minha saúde mental: os exercícios físicos, e também me deslocar para ir à um centro de convivência, à um parque, etc....  A dor física parece que consegue fazer liberar em meu cérebro uma substância ou algo parecido que mina a minha energia. Alguns dias que fico em casa as dores somem. E consigo andar alegremente por mais ou menos 1km, quando as dores começam a aparecer, e, no mesmo instante fico pra baixo, como se a bateria estivesse sido descarregada rapidamente.
     Essa psiquiatra do posto de saúde sabia das dificuldades que estou passando por causa desse problema no pé. Ela também sabe como é o atendimento no SUS. Custava ela omitir o fato de não tomar o antipsicótico? Mentir é uma coisa, omitir é outra totalmente diferente....

Cirurgia? Só se tomar o antipsicótico e tiver acompanhante....

    Como vocês podem observar pelo áudio acima, só receberei atendimento na rede Sarah se tomar o antipsicótico e ter acompanhante...
    Em relação ao antipsicótico já mencionei várias vezes que não foi por falta de tentativa que não deu certo o tratamento. Não deu certo no meu caso, mas isso não quer dizer que com os demais pacientes o mesmo irá acontecer.
    Já em relação a acompanhante sempre gostei de viver só e curtir a minha solitude, que é a solidão desejada. Não vai ser agora que irei arrumar uma companhia. Teria que me aproximar de alguém com segundas intenções, com interesses além da companhia da pessoa, o que não é do meu feitio. Sempre procurei ser verdadeiro, e até nas perícias que fiz no INSS fui acompanhado somente no início, quando ainda estava morando em um abrigo.
    Não sou um aproveitador, não irei me aproximar de uma pessoa só para ser meu acompanhante no hospital. Sou sincero, e isso gera alguns problemas. Não gosto da maioria das pessoas, as acho fúteis, mesquinhas e algumas são frescas mesmo. E as pessoas que gosto não gosto de vê-las todos os dias....
    E a culpa não é delas, é o meu jeito de ser mesmo.
    Já pensou se eu consigo arrumar uma amiga ou namorada, e, no primeiro encontro pergunto:
     -Vamos?
     - Aonde?-ela pergunta.
     - No hospital, é para me fazer companhia, pois vou operar...- respondo, na maior cara de pau... 
     A impressão que se dá é que é um pecado, uma afronta, uma aberração o fato de gostar de ficar só e curtir a solitude. Parece que é correto ser um baba ovo, um interesseiro, se casar com segundas intenções. Acho que nesse caso a parte financeira seria a primeira intenção mesmo...
o amor é lindo...
     Sempre fui assim, e acho que sempre serei. Posso ter perdido algumas oportunidades na vida por causa disso, mas não perdi a minha liberdade, que não tem preço.
    Não consigo mais enxergar uma luz no horizonte, uma solução para esse meu problema no pé. Até arrisquei a jogar na mega sena, mas esse concurso é engraçado: sempre acumula vários sorteios, para, no final, uma única pessoa sair ganhando...
     Essa situação é uma bola de neve. Primeiro foi a articulação do  hálux do pé esquerdo. Agora é uma fratura no hálux do pé direito, por andar incorretamente. O joelho dói um pouco, principalmente na hora de subir uma escadaria. O tornozelo sofre pra caramba, e os tendões também, já que não consigo fazer a passada completa e correta. Também sinto que as fíbulas podem a qualquer momento apresentar algum tipo de problema. (já estou quase virando um especialista em ortopedia, de tanto pesquisar o assunto na internet...)
    Como não vejo solução, pretendo de qualquer jeito fazer os 910km restantes do Caminho da estrada real que ainda não fiz. Não irei olhar para o futuro, coisa que sempre fiz na minha vida. E fui feliz até hoje vivendo desse jeito Provavelmente irei detonar muita coisa nas minhas pernas, afinal estarei andando uma boa distância e com cerca de 11kg nas costas, num sobe desce danado que são os caminhos da minha querida Minas Gerais. Mas nem por isso vou deixar de fazer o que gosto e no que acredito para ser feliz. E também sempre cumpri minhas promessas, e fazer os quatro caminhos da estrada real é uma delas. Missão dada é missão cumprida....  Nem que seja de muleta irei fazer essa caminhada quando passar o período das chuvas.
   Essa postagem não é uma reclamação, pois sempre assumi os riscos de minhas escolhas. Não reclamo da minha situação financeira atual, tendo que gastar quase metade do meu salário para pagar um aluguel em um quartinho, cercado de pessoas que não sabem respeitar o sono alheio. Que me desculpem os funkeiros educados, mas onde me mudo sempre tem vários para perturbar o ambiente. Sem contar os traficantes e usuários de drogas. Sinto que estou atraindo esse tipo de gente aonde eu vou. Já me mudei várias vezes e sempre é a mesma coisa O local parece um convento quando dou uma olhada, mas, meses depois aparecem os desconhecedores do fone de ouvido para me azucrinar.
   Não reclamo de minha situação financeira pois foi o caminho que escolhi, ser operador de som em firmas pequenas, para poder me divertir e viajar pelas festas principalmente no interior de Minas Gerais. E também tive o prazer de conhecer boa parte da Bahia, Espírito Santo, e as lindas cidades de Recife e João Pessoa.
    Conheci essas lindas cidades sendo eu mesmo, sem bajular ou fingir ser uma outra pessoa. E isso para mim não tem preço. E era um prazer enorme operar uma mesa de som, fazendo parte, mesmo que de forma indireta, da alegria das pessoas, pois, afinal quem tem que aparecer são os cantores.
faz parte do meu ser a liberdade quase que total de ser o que sou...
    Ainda hoje em dia muitos pensam que o ciclo do ser humano é nascer, crescer, casar, se reproduzir e depois morrer. Na minha opinião é nascer, crescer, ser o que é de verdade e aí sim  depois ir dessa pra outra. Casa quem quiser casar e também creio que devemos ter responsabilidade na hora da reprodução, pois hoje em dia devemos infelizmente analisar certas coisas com frieza, pois o dinheiro conta muito, pois temos que procurar dar as melhores condições para nossos futuros filhos crescerem sem os paparicarem muito.
     Você não é casado? Ainda é solteiro? Mora sozinho? Noto um pouco de espanto nas pessoas quando me fazem estas perguntas..
    Mas gosto e desejo a liberdade da solidão. Gosto de não ser compreendido, pois me sinto um pouco escravizado quando sou totalmente compreendido.

Vantagens de morar sozinho

    Gosto de morar só, gosto de beber água na garrafa, gosto de morar só pois não me sinto bem prendendo os meus gases, quero ter o direito de ir e vir para onde bem entender e na hora que quiser. Uma das piores perguntas que me podem fazer é: "Aonde você vai?"....
    Quero ter o direito de ficar calado, ser um pacato cidadão que gosta de passar a maior parte do tempo em seu quarto. Até um serial killer tem o direito de ficar calado quando é preso em flagrante.
Muitas namoradas que tive reclamavam que eu era um cara muito calado, mas o silêncio para mim é quase que sagrado.
    Quero andar pelado pela casa nos dias de calor, sentir o ventilador e não me preocupar se alguém acha o meu bilau pequeno ou normal.
    Quero deixar as coisas desorganizadas, e na organização da minha bagunça saber onde está tudo o que preciso. Essa confusão nem sempre funciona, tem dias que não consigo achar nada, mas já até achei dinheiro que havia perdido dentro do meu próprio quarto.
    E na hora de dormir não quero ter a preocupação se estou puxando demais o cobertor para o meu lado, ou se estou empurrando minha companheira para fora da cama. Às vezes minhas noites são agitadas e não gostaria de ter que acordá-la toda hora.
    Quero ficar só pois não quero engordar como a maioria dos casais. Não sei por que a maioria das pessoas quando casam engordam. Não sei se é acomodação por ter um parceiro (a) garantido (a) ou pelo metabolismo ficar um pouco lento com o passar do tempo. Ou até mesmo por que a companheira faz uma boa comida.
    Mas acredito que seja a primeira opção a maior causadora das gordurinhas indesejadas. Os homens deixam de praticar esportes com os amigos, as peladas do meio de semana ficam para segundo plano, e mal mal jogam a pelada do final de semana ou então vão ao estádio de futebol no domingo, tomando algumas cervejas. Já as mulheres deixam de fazer a caminhada com as amigas?
Mas por que os casais não fazem uma corrida juntos?  O sexo depois de uma boa caminhada é até mais prazeroso, pois as pessoas estão mais relaxadas e o homem não fica com tanta pressa. Quem tem ejaculação precoce deveria experimentar fazer uma "pequena" caminhada de 40km, garanto que iria demorar um pouquinho mais para chegar aos "finalmente"....
     Mas a principal vantagem de morar sozinho é a liberdade de sermos nós mesmos. De ficarmos mal humorados quando estamos de verdade mal. De cantar alto a música que gostamos, de não ter receio de ficar trocando de canal toda hora.
 Obviamente existem desvantagens de morar sozinho. Claro que uns carinhos, uns chamegos fazem falta. Uma massagem, uma boa conversa, sou um cara sapiosexual, pois o que mais me atrai em uma mulher é a inteligência. Não me considero um cara inteligente, sou apenas um cara esforçado e que sempre tentou se cercar de pessoas inteligentes e aprender um pouco com elas. E também me entreter com coisas assistíveis....
    Mas me analisando, cheguei à conclusão de que a melhor companhia para mim é "eu" mesmo. Convivo bem com os meus pensamentos quando estou à noite deitado com a cabeça no travesseiro. Fico sozinho quando estou em meio à multidão...
E assim vou continuar vivendo e lutando pela minha liberdade. Mesmo que custe a minha vida...
Sinto que em minhas veias corre o sangue dos indígenas nativos, que preferiram a morte do que servirem aos portugueses.... 



sábado, 23 de dezembro de 2017

Ajudem a manter o blog

     Hoje não irei falar sobre saúde mental, sobre andanças e nem sobre o que costumo postar normalmente aqui no blog.
Serei o mais breve e simples possível. O titulo da postagem se refere à ajuda para a manutenção do blog, mas não é bem isso. A verdade é que não tenho custo nenhum em escrever estas humildes postagens. Faço tudo isso com o maior prazer, sempre gostei de escrever, e se puder com isso ajudar de alguma forma as pessoas, também estará ajudando a mim mesmo, me tornando uma pessoas mais útil para a sociedade.
    Acredito sim que o que escrevo tenha alguma utilidade sim, pois infelizmente no Brasil o atendimento na área da saúde mental ainda deixa muito a desejar, apesar de alguns progressos. Um atendimento mais humanizado, em que a consulta seja um verdadeiro "Diálogo Aberto" é o que sempre desejei que acontecesse. Mas infelizmente o que vejo é a falta de diálogo e confiança na relação paciente e médico. E também deixa a desejar por falta de estrutura, apesar de termos sim bons profissionais e bem intencionados.
   Mas voltando a questão da manutenção do blog, repito que não existe gasto nenhum.  Já houve algum gasto, quando estava fazendo as minhas andanças e aí tinha que pagar pelo acesso à internet em alguns locais. Mas também repito que foi e é o maior prazer tentar ajudar algumas pessoas, quando estou me sentindo bem.
    Então o que peço nesta postagem não é uma ajuda para a manutenção do blog, e sim para mim mesmo. Estou em uma situação financeira um pouco complicada, pois atualmente estou morando em um local um pouco acima do meu orçamento. Estou morando atualmente neste local pois é o que consegui achar, pois os quesitos que mais aprecio em uma morada são: a paz, a tranquilidade e o respeito. Infelizmente tive que sair de dois locais com um aluguel mais barato devido ao fato de não poder dormir direito, devido à bagunça e a falta de respeito ao sono alheio, já que alguns moradores ficavam até altas horas da madrugada conversando e fazendo outras coisas que não são adequadas em um local onde várias pessoas de hábitos diferente convivem.
   Devido à este aluguel em alguns meses a situação fica complicada, mas dá para ir levando. Poderiam me dizer para voltar a trabalhar. Confesso que se tivesse condições para tal, nem teria cogitado a possibilidade de me aposentar. No momento tenho que ir me virando com o salário mínimo da aposentadoria, ou seja, quase metade do salário é para o aluguel. No momento ainda estou à procura de algum quarto mais barato, mas que tenha o mínimo de tranquilidade, pois sei que as horas de sono são muito importantes para a minha saúde mental. Aliás, é para todos.

    Muitas pessoas já me ajudaram desde que o blog foi fundado. Mas não peço nenhum sacrifício por parte dos leitores. Não é uma obrigação, Qualquer valor é bem vindo, pois com todos ajudando com pouco poderei sair desta situação. O valor pode ser depositado em qualquer agência lotérica ou em qualquer banco e até através do internet banking, na seguinte conta:
Caixa Econômica Federal
   Julio Cesar dos Santos de Oliveira
   Agência 2332 Ipatinga MG
   Caixa Econômica Federal
   Operação 013
   Conta 00035331-3
email: juliocesar_555@yahoo.com
           juliocesar-555@hotmail.com
   Atualmente estou morando em Belo Horizonte, a conta ainda é da cidade de Ipatinga, mas ainda a uso para estes fins aqui no blog, pois não uso o cartão que recebo a minha aposentadoria para outros fins. Também a compra do livro que escrevi me ajudaria bastante, no momento estou vendendo somente no formato PDF, que é enviado através do email ou pelo facebook mesmo.
O link para maiores informações sobre o livro Mente Dividida
http://memoriasdeumesquizofrenico.blogspot.com.br/2012/08/mente-divida-memorias-de-um.html

   Caso não tenha condições de ajudar, não tem problema algum. O blog como já  disse é feito com o maior prazer e sem intenção de algum tipo de retorno financeiro. Só o fato de me sentir uma pessoa útil já é o bastante e suficiente para continuar a escrever. A participação de todos pelos comentários também ajuda bastante a enriquecer as postagens.
Obrigado.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

O natal

    O blog já tem cinco anos de existência. De lá para cá muita coisa mudou, inclusive alguns conceitos e conhecimentos meus também. Afinal, prefiro ser uma metamorfose ambulante...
    As postagens iniciais eram de uma pessoa "novata" no ramo da esquizofrenia, buscando respostas para essa condição que nem sempre encontramos nos consultórios de psiquiatria e psicologia.
    Ainda sei pouco sobre a esquizofrenia, mas ela já não é mais um grande mistério em minha vida. Me lembro que no início dos surtos acreditava se tratar de algo puramente espiritual, e ficava pulando de igreja em igreja, na frustrada tentativa de achar uma solução para essa situação. Mas, sempre quando ia na frente do púlpito na chamada do pastor para a oração, mil caíam à minha direita e dez mil à minha esquerda, mas eu não caía de jeito nenhum... O engraçado nessas "caídas" é que boa parte que reparei caíam de uma maneira que não machucassem a cabeça, igual o seu "Barriga" cai quando leva uma porrada do Chavez.. Ou então sempre tinha alguém no local e hora exata para segurar a pessoa supostamente possuída pelo tinhoso... 
     Nesses cinco anos de blog a minha reação ao natal também mudou. No início ainda acreditava que o natal fosse sinônimo de felicidade, paz, harmonia, etc... Se não estávamos felizes, tínhamos que encontrar um jeito de disfarçar e achar um sorriso no rosto para desejar um feliz natal à todos os nossos conhecidos.
    Na época  do começo do blog estava começando a aprender a usar um PC e boa parte do que assistia vinha da programação da TV aberta, que, nessa época do ano não fala sobre outra coisa a não ser o natal e suas festividades. 

   A TV aberta me obrigava a pensar que natal era sinônimo de felicidade, alegria, que era obrigado a ter grana para sair distribuindo presentes à todos os meus conhecidos.... Confesso que me sentia deprimido e um pouco culpado por não ter tido sucesso financeiro para presentear todas as pessoas que conhecia e que queria bem.  Ficava sem graça em poder apenas desejar um feliz natal. E ficava mais sem graça ainda quando no amigo oculto ganhava um presente super bacana e dava uma lembrancinha meio sem graça. shasuashuashasuahs (hoje posso rir, mas na hora era complicado pra caramba...)
    Natal na TV também é sinônimo de comilança desenfreada. Me sentia mal também em ir à padaria durante o natal e pedir um simples pãozinho com manteiga e um cafezinho bem quentinho. De querer comer um bom filé com fritas. Os programas matinais da TV aberta passam boa parte ensinando todos os anos a fazer rabanetes e outras delícias para serem comidos nesses dias. Mas, foda-se as datas, me empanturro quando quero, como chocolate quando meus níveis de serotonina estão baixos e não por que é páscoa. Só para constar e só para contrariar, não costumo comer chocolates nesta data...
    Minha felicidade, bem estar ou alegria não está condicionada à datas. Me sinto feliz quando estou bem fisicamente e mentalmente. Estou feliz quando estou em paz. Estou feliz quando estou morando em um lugar tranquilo e onde as pessoas se respeitam.
    Ficaria mais feliz se abrisse as páginas na web e visse menos injustiça e violência. Se visse menos gente do mal se dando bem...
    Antes de conhecer a internet ficava horas e horas grudado na TV aberta e me sentia mal nessa época do ano. Afinal, são quase 24 horas por dia nos lembrando que é natal, que temos que ir ás compras, que ninguém pode ficar sem presente. Os programas falam que é natal, os comerciais também. Não tem como escapar. A TV sempre quer nos lembrar que essa época é de paz, alegria, harmonia entre os povos. Já no dia 26 tudo vai voltando normal aos poucos, como se fosse possível desligarmos da realidade, como se houvesse um interruptor em nossas mentes. Mas a campanha é tão forte que algumas pessoas conseguem fazer isso...
    Hoje em dia uso mais a internet para me entreter, e assim pouco sou lembrado de que é natal e que tenho que ser solidário e feliz.
     Hoje escolho o que assistir e a hora que tiver vontade aperto  o play no reprodutor de vídeo.... Quando estava nas minhas andanças, foi possível economizar grana para comprar uma TV LCD e um notebook e assim ver o que quiser na hora que desejar. Bendito cabo HDMI!!!
     Este ano essa data está passando tão desapercebida que me assustei ao olhar a data no pc e constatar que já estamos na véspera do "aniversário de Jesus Cristo...
    Tento ajudar as pessoas quando posso, independente se é natal, procuro ter esperanças sempre, mesmo se não for ano novo...  Procuro ser feliz mesmo se não for carnaval... 
    Mas também não sou radical, não sou contra as confraternizações de fim de ano. Acho legal as pessoas se reunirem, afinal fim de ano é fim de ano. Principalmente acho válido nas empresas essas festas, afinal nem todo ambiente de trabalho é um ambiente legal, as pessoas têm que manter uma certa discrição e um ar sério. 
     Nas minhas postagens anteriores sobre o natal chamo o mês de dezembro de "deprembro", pois a mídia me impunha a condição de ser feliz por causa do natal. E ficava desolado por não me sentir como boa parte das pessoas se sentiam, ou tentavam se sentir...
    Hoje ficaria feliz o ano inteiro se não houvesse e visse tanta corrupção, se fosse atendido dignamente em um posto de saúde, se pudesse andar tranquilamente pelas ruas depois de comprar um celular razoável....
   Se fosse obrigado a mandar uma cartinha ao papai noel ela seria mais ou menos assim: 
   "Caro Papai Noel, no dia 24 não precisa passar aqui em casa não, pois o presente que quero não cabe em uma simples meia. Você já está um pouco idoso e cansado e poupe o trabalho de suas renas.
    O presente que gostaria de ganhar é um mundo mais justo, onde os maus e aproveitadores não se dessem tão bem. Que os políticos safados fossem todos presos. Que os traficantes entrasse em falência e fossem presos, por não terem clientes em busca de alívio de suas dores existenciais com drogas.  E também acho que não fui bonzinho o suficiente para merecer o seu presente"... 
    Então, além de boas festividades, gostaria de desejar à todos os leitores do blog muita saúde, paz, energias positivas. Gostaria de desejar não somente um feliz ano novo, e sim feliz todos os dias de 2019, 2020, 2021...

Obs: estou sempre postando aqui no blog, nem sempre divulgo o que escrevo nos grupos do face, para não torrar a paciência de todo mundo...
    Esta música achei por aí no youtube, claro que não quero matar o papai noel, mas a letra é bem interessante...


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Galeria de arte

    Sempre que posso estou postando obras de arte de pessoas que têm esquizofrenia ou um outro tipo de transtorno mental. Como já disse repetidas vezes, acredito que exista uma relação forte entre a arte e a "loucura", talvez pelo fato das pessoas ligadas as artes serem mais sensíveis.
    Desta vez estou publicando um poema do Elon Fábio Ávila.
    Caso queira ter sua obra publicada no blog entre em contato comigo, ou através dos comentários no blog ou pelo email   juliocesar-555@hotmail.com


Passa, vai passando...
O tempo em minha volta.

Folhas dançantes, sob os ventos uivantes...

Condensam-se as chuvas, 
que a seca matará.

E a corrida pelos férteis,
já irá começar...

Pássaros cantantes irão chegar.

O glorioso pavão, 
suas plumas vão mostrar

O majestoso alazão, 
rinchos irá soltar...

As 5 da tarde, o Sol começa a abaixar...
E a linda Sabiá... 
Ainda que sem fôlego, 
Canta, que chega a delirar !

Ao relento da noite a festa continua.

Sob a luz do luar, 
os anfíbios vem a cantar.

E na orquestra dos bichos, 
as cigarras, não podem faltar !

O luar se vai...

E a escuridão se alastra

E nela, 
pequenos pontos cintilantes, 
começam a piscar.

E em pouco tempo, 
dezenas destes, 
pairam pelo ar.

E naquele show de luzes, 
a festa continua.

Já são 6 da manhã...E o cacarejo? 
Não há de faltar !

Começa um novo ciclo da vida; 
A corrida por um lar...

O Bem-te-vi 
alguns galhos,
vai precisar !

Já o João-de-barro,
somente do barro, 
irá necessitar.

O Pica-Pau, 
uma árvore irá bicar !

E as iguanas, 
um buraco cavará...

Vai e vem, destes ciclos, 
e eu aqui, 
em minha cadeira.

E ao piscar dos meus olhos, 
volto ao estado a devanear

Solitário sou eu. 
preso estarei, 
a este mundo cinza, em que a minha mente 
se perdeu...

domingo, 10 de dezembro de 2017

A difícil arte da diversão para um esquizofrênico...

                                                              Um cara de sorte....

  Outro dia desses estava de bobeira, como sempre, viajando pelas ondas da internet, sempre deixando a aba do facebook aberta, quando, de repente vejo na página do grande Zeca Baleiro que ele estaria aqui em Beuzonte em um grande show em homenagem ao grande compositor Vander Lee, que infelizmente não está mais entre nós. Quem acompanha o blog sabe o quanto admiro esses dois compositores. 
   Despretesiosamente escrevo na timeline do Zeca que gostaria de ganhar um ingresso para o show, pois a grana estava por demais curta. E continuei a minha navegação na internet, sem esperanças de que o meu pedido fosse visto. Na verdade tinha uma pequenina esperança sim, mas muito pouca mesmo. E não é que, quando retorno ao facebook me deparo com uma pessoa desconhecida me oferecendo o ingresso? 
    E agora? pensei... Sou um grande fóbico social, não vou à um show desde 2004, quando desisti definitivamente de trabalhar. 
     Não vou conseguir ir à este show, mas também seria uma enorme desfeita recusar a generosidade daquela mulher. Então, me dei mais esta missão: ir ao show do Zeca Baleiro, no palácio das artes provavelmente lotado, e sem um miligrama de diazepan na cachola...
    Não gosto de drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas, e sei que vou conseguir vencer essa minha dependência química do "pan nosso de cada dia"...


    Dito e feito: domingo saí de tarde para almoçar e fiquei de bobeira até as sete horas da noite, horário combinado para pegar o ingresso com a Fabiana (nome fictício), em frente ao Palácio das Artes. Minha mania de perseguição é tão grande que tenho a certeza absoluta que as pessoas que querem me prejudicar também irão querer prejudicar a quem me dá uma ajuda, por isso coloquei o nome fictício.
    No horário marcado ela apareceu, vestida conforme combinado no facebook. E a foto do perfil dela é atual, então não foi muito difícil reconhecê-la. A cumprimentei e, sorridente me  deu o ingresso que, para minha surpresa era da primeira fila!!! Fiquei sem entender nada, e muito menos consegui encontrar palavras para agradecer aquele gesto. Uma pessoa logo apareceu perguntando se eu queria vender o ingresso, o que recusei, é claro. Dinheiro no mundo nenhum valeria a chance de ver um show com três grandes compositores homenageando um outro grande compositor que é o Vander Lee. Apesar da grana estar curta nem cogitei em vender aquele ingresso, que deveria valer uma boa grana, mas não sou e nem tenho a pretensão de ser um cambista, ainda mais com um ingresso que me foi dado... 
   O motivo desse show é um pouco triste. O Vander Lee gravou um DVD no meio do ano passado, no Rio de Janeiro. Era em comemoração dos seus vinte anos de carreira, mas,  um mês e meio depois veio a falecer, para a enorme tristeza de seus muitos fãs no Brasil inteiro. Então o projeto  não foi finalizado e o Zeca Baleiro e o Maurício Tizumba resolveram fazer esta homenagem para concluir a edição deste DVD. 
ingresso para a primeira flia!!!
    Já tive algumas chances de ir ao show do Zeca Baleiro, até quando morava em Ipatinga, mas minhas paranoias e pensamentos persecutórios falaram mais alto naqueles dias e então resolvi ficar em casa mesmo, como sempre faço todas as noites. Percebi que a situação era grave mesmo quando o meu time foi jogar em Ipatinga e eu não fui ao estádio, que ficava a menos de 1km de onde morava... 
     Entrei no palácio das artes e nem sabia o que fazer com aquele papel impresso. Fui na bilheteria pensando que teria que trocar por um ticket, mas era só apresentar na entrada do teatro que o funcionário com o leitor de código de barras iria verificar a autenticidade do ingresso. Antes havia comprado uma pipoca, pois sempre procuro algo para comer quando estou ansioso. 
   Fui para o meu lugar meia hora antes do show. Obviamente estava tenso e um pouco travado. Então  coloquei o meu disfarce de "gente normal" que acredito ser bem convincente, pois a maioria das pessoas quando me conhecem não dizem que tenho algum tipo de transtorno mental... Mas acho que elas enlouqueceriam se em suas mentes se passasse por alguns segundos o que sempre passa em minha cabeçona...
    Fiquei no meu assento, e feliz por ter encontrado um amigo que não via há uns vinte e cinco anos atrás: o operador de som do show era simplesmente um cara que começou a trabalhar juntamente comigo em uma empresa de sonorização aqui em Belo Horizonte. Como ainda estávamos aprendendo o ofício, passamos momentos difíceis montando e desmontando  equipamentos de som em algumas festas e shows aqui em BH. Mas hoje ele é um grande operador de som e fiquei feliz em saber que está bem e sendo muito requisitado pelas bandas aqui de Minas Gerais. 
    Aos poucos o teatro foi se enchendo até ficar completamente lotado. Afinal, são três grandes artistas reunidos para homenagear um outro grande artista que se foi o Vander Lee.
    Como me havia prometido, nem levei uma cartela de diazepan no bolso. Era um risco e tanto, mas gosto desse tipo de desafio. Eu, que em 2002 estava nas ruas de Belo Horizonte, com 25kg a menos, comendo lixo e pensando que o mundo iria acabar, agora estou no palácio das artes assistindo como um ser humano qualquer um show de seu cantor preferido. 
    Eu que, por volta de 2003 não conseguia sair de casa em uma pequena cidade do interior de minas sem uma cartela de diazepan que logo ficava desesperado e tinha que voltar correndo para buscar o meu SOS. Certa vez quando esqueci e estava longe de casa, corri até a uma padaria e me empanturrei de torta de chocolate até quase não conseguir andar direito. A  "emapanturração" serviu para me acalmar, mas minha barriga também estava a ponto de estourar. O chocolate e as massas realmente me dão uma acalmada...
   Mas voltando ao show,  a campainha soa pela primeira vez, para avisar que o show iria começar em dez minutos. O público não fala muito e a acústica do teatro é muito boa, o que não faz aquele burburinho de vozes ficar quase que insuportável para mim.
    Estou relativamente tranquilo e feliz comigo mesmo. Estava tenso, mas confiante de que não iria sair correndo para fora do teatro durante o show. 
    E a campainha do teatro soou pela segunda vez anunciando o início do show. Silêncio na plateia e o show se inicia com o Maurício Tizumba, que também é humorista, fazer a primeira parte do espetáculo. O som está alto, mas muito bom. Como disse, ganhei o ingresso para a primeira fila, e estava de frente para uma caixa de som. Mas o som mesmo alto não estava ferindo os ouvidos, devido a qualidade dos equipamentos de hoje em dia. E também graças as mãos e ouvidos do meu amigo operador de som. 
Chico Cesar fez um grande show... 

     O show tem um leve clima nostálgico, mas até que o Maurício Tizumba com o seu humor faz a plateia rir por diversas vezes. Saiu muito aplaudido e logo depois entrou o Zeca Baleiro. O som ficou melhor ainda, pois a voz dele é mais para o grave e não tanto aguda. Ele falou pouco, creio que pelo motivo da homenagem ser o DVD das músicas do Vander Lee. Mas foi muito aplaudido também. Timidamente tiro o meu velho celular para tirar umas fotos, os vizinhos de acento estão filmando com celulares muito melhores e mais modernos. Até que tinha um celular razoável, que acabei vendendo, pois a situação aqui em Belo Horizonte está complicada e estão matando quem reage à assalto de celular. Agora posso andar tranquilo pelas ruas pois o celular não está muito e para completar, uso um papel de parede que simula uma tela quebrada... 
  Depois que perdi a timidez do meu velho celular tiro mais fotos e até gravo um trechinho de uma música. O áudio saiu bem distorcido, pois como já relatei, estava bem em frente de uma caixa de som. Afinal, não vou à um show há bastante tempo e esqueci que tinha que diminuir o volume do microfone. Mas logo coloco o celular no bolso, não consigo curtir um show e filmá-lo ao mesmo tempo... Temos que sentir o som, os instrumentos, a atmosfera do show... 
   Já no meio do show estou um pouco menos tenso e até bato palmas para acompanhar as músicas. Mas o desconforto ainda é muito grande, não adiantando dizem em pensamento para mim que as pessoas foram ao teatro para ver o show e não ficar me observando. E ainda tem as câmeras que estão gravando o show, o que aumenta e muito a sensação de estar sendo observado.  Rapidamente uma timeline se passa em minha mente e relembro dos shows que via antes dos surtos... Ficava completamente distraído, não reparando em nada à minha volta, somente os olhos voltados no palco e os ouvidos nos instrumentos... Meus olhos ficam um pouco marejados ao lembrar desses bons tempos e também por causa da lembrança e das homenagens ao Vander Lee, que parecia ser um cara tipicamente mineiro, pelo seu jeito de falar nas entrevistas que eu vi.
    Incrível como a plateia interage com os músicos, não sabia que  o Vander Lee tinha tantos admiradores, o que me faz sentir melhor, pois é bom ter um gosto musical diferente da maioria, mas também nem tanto diferente, para não me sentir um grande extraterestre.

    O show vai chegando ao fim, e para deixar meus olhos mais marejados ainda, a última música quem canta é o próprio Vander Lee. Não, ele não ressuscitou, é que o telão do teatro  foi abaixado e rodaram um vídeo com ele cantando, e a banda acompanhou a música ao vivo, ou seja, foi uma música ao vivo com o falecido cantando,  acho que expliquei bem a situação...
   Muitas e demoradas palmas no final.  Olho ao redor e vejo que há um misto de emoções na plateia. Deu para notar algumas com os olhos marejados, e outras sorridentes, por causa do grande show que tinham acabado de ver. No meu caso estava também com essa mistura de sentimentos. Triste por saber que não existirão novas composições do Vander Lee, e alegre e aliviado por ter conseguido vencer mais este pequeno desafio. Espero calmamente sentado no meu banco a maior parte da plateia sair para poder ir embora. Estou um pouco mais leve, pode parecer pouca coisa, mas não é para quem estava praticamente morto por volta do ano de 2003 e que desde então não conseguia ir a um show. 
   Antes de sair do teatro, vou a mesa de som e cumprimento o meu amigo operador de som pela qualidade do áudio. Técnico de som é igual juiz de futebol, é muito importante mas não pode aparecer para a plateia. Se aparece é por que algo não está acontecendo do jeito que deveria estar acontecendo. 
   Vou para casa a pé. Foram quatro quilômetros que andei sem maiores problemas, parecia que estava 10kg mais leve. Analisei o meu comportamento durante o show e acho que o meu disfarce de gente normal foi realizado com sucesso, foi difícil esconder o meu entusiasmo, pois parecia uma criança quando vai à praia pela primeira vez ou então um cachorrinho quando ouve o barulho da corrente quando seu dono a pega para passearem juntos...
    Infelizmente sei que nem sempre vou ter esse tipo de diversão, acredito que mais dia menos dia a mania de perseguição e algumas vozes irão tirar o prazer de uma saída de casa. Mas não vou desistir, a vida é feita de desafios. E ultimamente tenho voltado a gostar dos desafios, do bom combate e da boa luta... Quem sabe um dia se o Yanni voltar ao Brasil eu consiga ver um show desse cara. Quando estive em São Paulo, no ano de 2014,  cheguei a ir ao ginásio do Ibirapuera, mas resolvi não comprar o ingresso, pois não saberia como iria me sentir. 
    O "show homenagem" foi demais, recomendo a todos que assistam quando os caras estiverem em sua cidade. Me considero um sortudo, apesar de tudo. Afinal ganhei um ingresso para assistir um dos meus cantores prediletos e ainda na primeira fila... 
   A luta continua, um passo de cada vez e acredito que ainda terei mais desafios pela frente.
   Abraços à todos e até a próxima postagem.



quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Divagações esquizofrênicas 16

                                        Paranoias diárias do dia a dia....

    Após a última postagem abordando um assunto sério e polêmico, desta vez posto mais uma publicação da série "Divagações esquizofrênicas", que, resumindo, é uma conversa fiada sobre amenidades e até temas um pouco mais sérios, mas sempre usando uma forma mais leve e até bem humorada. De complicado já basta o transtorno...
     As minhas paranoias, principalmente a "mania de perseguição que me persegue", me acompanham por onde eu for. Não adianta mudar de bairro, cidade, país, etc... Alguns dias elas estão mais presentes, outras nem tanto. Mas elas sempre estão dando o ar de sua graça. É a "everyday paranoia".
       Elas também me acompanham no mundo virtual, é claro. Usar internet banking nem pensar, apesar de saber que nenhum hacker irá perder seu tempo para roubar alguns míseros reais que deixo na minha conta....
    Esses dias cliquei em um link suspeito e isso já foi o suficiente para ter a absoluta certeza de que fui e estou sendo hackeado, principalmente a minha conta de email e o facebook. Já fiz até backup das postagens aqui do blog. Vai que tenho inimigos e não esteja sabendo? 
    Fiquei tão paranoico com esse link suspeito que até enviei um email para "mim" mesmo...(está correta a frase "enviei um email para mim mesmo?". Os universitários por favor me respondam aí nos comentários, pois o word não é perfeito e a língua portuguesa é complicada mesmo. 
verificação de email... 
    Mas não é brincadeira não. Enviei um email para mim, pois tenho várias contas. Usei o da yahoo para mandar para a minha conta da microsoft, que é a que uso mais. Fiz este procedimento para verificar se algum hacker está interceptando alguma mensagem importante. Estou recebendo emails, mas fico pensando se esse tal hacker estaria bloqueando apenas os emails importantes e deixando passar só os que não interessam, os spams, as propagandas, o phishing, etc...
    Será que sou a única pessoa do planeta a fazer isso? Se alguém também já chegou nessa situação crítica de paranoia extrema por favor comente, por uma questão de solidariedade mesmo, para não me sentir tão maluco assim... E também, se for possível, me envie emails, pois essa auto verificação também não foi o suficiente para acabar com as minhas suspeitas de hackeagem. 
    Mas o engraçado é que atualmente não uso mais antivírus no meu notebook. Depois que aprendi a instalar um sistema operacional qualquer nunca mais instalei esse tipo de programa, que geralmente deixa a máquina um pouco mais lenta. Formatar um pc não é um bicho de sete cabeças. Agora qualquer probleminha que acontecer é só instalar tudo de novo. Tempo até que não me falta ultimamente. 
    Mas, falando sério, o melhor e principal antivírus é o próprio usuário, ou seja, nada de ficar clicando em links suspeitos, notícias falsas (o Sílvio Santos morreu umas 400 vezes no facebook...).
     Também não existem milagres, não irá cair uma bolada do céu ou um iphone se você clicar em um link avisando que você é o milésimo visitante de um site qualquer. E tem aqueles sites de "entretenimento", que alguns visitam para se aliviar, que podem ter vírus também. Digo pode ter por que nunca cheguei a ver esse tipo de site não...
dinheiro não cai da internet...

       Também uso a terapia do foda-se. Foda-se se alguém está me espionando, me hackeando. Ser pobre tem o seu lado positivo também, pois hackear deve dar muito trabalho e alguns reais não valem a pena o serviço todo. Só empresas e milionários é que devem se preocupar em instalar um antivírus, e se possível dos melhores, que são os pagos. E os meus dados e arquivos também não me preocupam, afinal quem irá se preocupar em ver os meus nudes? Brincadeira, não guardo nudes no meu note. 
    Mas os meus dados estão salvos nas nuvens, uso duas contas gratuitas no mega, sendo que dá para armazenar 50GB em cada uma. Mas a conta gratuita só dá para baixar acho que 1GB a cada 5 horas, mas é melhor do que nada. Basta se cadastrar no site e pronto: você terá espaço suficiente para salvar suas fotos, pois qualquer HD, por melhor que seja, está sujeito a ter problemas...
   Esse é o meu blog: dicas de saúde física, mental, viagens, dicas de informática, manias, loucuras e por aí vai. Abaixo o link para quem quiser usar a conta no mega, pois se digitar "Mega" no google só irão aparecer assuntos relacionados à mega sena:
   A única coisa que faço pare me precaver da hackeagem alheia é tampar a webcam com uma fita isolante. Dizem que é possível espionar uma pessoa através da webcam sem que o led(a luzinha) esteja acesa). Acho difícil, mas se até o dono do facebook faz isso...
   Mas não devemos nos preocupar tanto se somos simples seres mortais, essas preocupações só as celebridades mesmo devem ter, nenhum hacker normal (tem hacker normal?) irá se preocupar com a vida e o cotidiano de nós pobres mortais. A não ser que ele seja seu inimigo.... 
                                                
                                                                         Andanças...
     Janeiro do ano que vem irá completar três anos sem andanças. Três anos entediantes. No início até que curti o cotidiano: assistir filminhos no home theather da LG que comprei quando estava morando na barraca e assim sobrando um dinheiro ao não ter que pagar o aluguel. Também curti ficar o dia inteiro praticamente na net, com o notebook também comprado com o dinheiro que seria do aluguel. Até tomar banho também foi uma curtição nos primeiros dias. Dá saudade sim esses pequenos prazeres e confortos de se ter um local fixo para morar. Mas, no meu caso, o tédio toma conta em questão de meses e, se não fosse o meu hálux rígidus já estaria na estrada real há muito tempo.
    Como tive uma boa melhora usando um tênis supermacio com o solado de EVA estou planejando voltar à estrada real no início do ano que vem, depois da temporada das chuvas.
    É na estrada real onde meus sonhos se tornam reais: um mundo sem violência, sem maldades, com a liberdade de andar por aí sem medo de ser assaltado. Confesso que um dia quase entrei em êxtase quando estava no alto de uma serra e só conseguia ouvir o bater das asas de um pássaro que estava sobrevoando o território...
    Os perrengues na caminhada existem, é claro. Chuva, sol forte na cabeça, se perder no meio de uma trilha... Mas a sensação e o prazer de liberdade superam e muito esses percalços do caminho.
    E a situação é a mesma do início das minhas andanças, em 2013, quando fiz o "O caminho do Padre Anchieta" pelo litoral do Espírito Santo: vizinhos que não respeitam muito o sono alheio. Dormem durante o dia e de noite ficam um pouco "agitados" e "alegrinhos"... E também não são muito adeptos do fone de ouvido. A mesma situação de quando morava em Ipatinga. Estou cansado de me mudar de um bairro para outro a fim de achar um local onde prevaleça o respeito ao próximo. Gosto demais de ouvir um som pesado, o piano do Yanni e sua banda, e outros sons mais. Dá vontade de aumentar um pouco, mas me coloco no lugar do vizinho e sei que ele não tem o mesmo gosto musical do que o meu e não quero obrigar ninguém a ter. Mas talvez seja o meu destino mesmo não ter um local fixo para morar... 
o caminho do Padre Anchieta foi fácil, apenas 100km de praias maravilhosas.
dormir na praia deserta e ter só a companhia do siri foi e melhor coisa do primeiro caminho que fiz...


    Como disse, ano que vem, depois da chuva voltarei à estrada real. Desta vez o desafio será bem maior: serão 910km! Isso mesmo, irei fazer o Caminho novo e o Caminho dos Diamantes de uma vez só, um atrás do outro. Obviamente irei descansar alguns dias, mas não terá pausas grandes...
   Quanto tempo irá demorar, não sei. Não irei fazer nenhum roteiro, como fiz no caminho velho. Pretendo curtir mais um pouco as cachoeiras e paisagens do caminho. E a solitude também, é claro. Me lembro que senti um vazio enorme quando cheguei à Paraty no último dia de viagem da estrada real. Descobri que o grande barato da caminhada não é a chegada ao destino final e sim a própria caminhada. A pressa nesse caso é inimiga do prazer....  Essas caminhadas não são um desafio, como fazer uma escalada ao topo do monte Everest.
    O que me deixa um pouco receoso é a variação do meu humor, que prefiro chamar de estado de ânimo. Tem dias que não estou nada animado, nem saio de casa para almoçar, prefiro buscar qualquer besteira no supermercado mesmo. Esses dias que fico meio desanimado me fazem pensar se tenho alguma doença. Já fiz vários exames de aids, eletrocardiogramas, hemogramas. Se pudesse faria até um tal de "petscan", que é um exame caríssimo que serve para detectar qualquer tipo de câncer, mesmo em estágio inicial.
     Uma vez, quando morava em Ipatinga, cheguei para a psiquiatra e pedi  um exame do coração, pois cismei que tinha uma doença chamada coração grande. Desde pequeno sou cismado que tenho algum problema do coração. E depois dos surtos tive algumas situações em que do nada meu coração disparava. Essa psiquiatra foi a que mais me ajudou, pois ela me atendia muito bem, não tinha aquela pressa e conversava comigo normalmente. Ela, ao ouvir a minha queixa, apenas pegou a caneta e fez a solicitação do exame. Ela não disse: "Ah, você não tem nada, isso é coisa de sua cabeça"...    Ela sabia que isso não iria me ajudar. Apenas fez o pedido e deixou que eu mesmo descobrisse que o problema no coração era apenas mais uma cisma de minha cabeça cheia de neuroses.


O monte Everest
   Cada um com sua loucura e mania. Não acho andar por aí na estrada real uma loucura. Se fazer andanças fosse uma loucura, então na Espanha deveria ser um ou vários hospícios do tamanho do Maracanã, pois todos os anos milhares de pessoas fazem o místico e religioso Caminho de Santiago.  O meu caminho de santiago é a estrada real, o caminho está dentro de nossas mentes e de nossas almas. 
    Mas falando em monte Everest isso sim acho uma piração, mas que respeito. Cada um com sua piração, sempre respeitando a piração alheia. Mas que é tensa essa escalada, isto é. Talvez o perigo e o imprevisto é que motivam essas pessoas a fazerem isso. 
Assisti esta semana um filme baseado em fatos reais sobre o monte Everest, para tentar entender melhor essa piração. E reparei que boa parte desses "malucos" são pessoas em torno dos 40 anos. Imaginava que eram no máximo pessoas com trinta anos, devido a dificuldade de se fazer a escalada. Mas sempre chega uma fase em nossas vidas em que começamos a refletir certos valores. E algumas pessoas precisam do isolamento para fazer tal reflexão. 
   O filme não é intenso, com final feliz, onde todos se salvam. Como disse, ele é baseado em fatos reais e os roteiristas do filme acredito não quiseram mudar muito para tornar o filme mais interessante e prender tanto a atenção do telespectador. Muitas pessoas pensam que o filme que é baseado em fatos reais seja uma cópia fiel do que é retratado. Não é bem assim, é alterada uma ou outra cena para tornar o filme um filme. Já no caso do filme Everest acredito ter sido bem fiel a realidade. Até mesmo o filme  ícone da esquizofrenia, Mente brilhante não é um retrato fidedigno da vida do matemático John Nash.
                                                              Sinopse do filme

    Tempestade de neve, frio, gelo, desespero, dramas familiares, mortes, tragédias. Poderia ser mais um filme de desastre, recheado de efeitos especiais, cenas de ação e um norte-americano salvando o mundo no fim do dia, mas "Everest", conta uma história real.
    O filme narra os acontecimentos dos dias 10 e 11 de maio de 1996, quando dois grupos de alpinistas fizeram uma excursão ao topo do Monte Everest.
    Naquela tarde, uma forte nevasca fez com que oito pessoas, entre guias, auxiliares e esportistas de maior ou menor experiência, morressem na tentativa de alcançar o topo da montanha, que fica na Cordilheira do Himalaia. 
    
Aventura mortal
   Encarado como um dos desafios mais perigosos do mundo, a escalada ao topo do Monte Everest é realizada apenas em algumas semanas durante o ano, na chamada "temporada de escalada". Mesmo assim, os que se propõem a subir devem respeitar regras rígidas, como a de não demorar a voltar, mesmo que isso signifique não conseguir atingir o topo.
    A tragédia de 1996 é justificada por especialistas como o resultado de um conjunto de erros que teria causado um grande atraso para que os alpinistas daquele dia chegassem ao topo. Surpreendidos por uma nevasca já durante a descida, a maior parte deles ficou presa em meia a ventos de 130km/h e uma temperatura de -51C°. A maioria morreu congelada.
    As vítimas eram de duas expedições comerciais, formadas cada uma por um líder, dois guias e oito clientes. O duelo profissional e pessoal entre os dois líderes, Rob Hall, da Adventure Consultantes, e Scott Fischer, da Mountain Madness, é apontado como uma das causas da tragédia, já que nenhum deles teria interesse em desistir e cancelar a subida. Ambos morreram. 
    A equipe de Hall foi mais afetada, Nela estava o carteiro Doug Hansen, o último a chegar ao topo, que queria provar que um homem comum conseguiria completar a tarefa, mas depois teve que ser resgatado primeiro por Hall e depois pelo guia Andy Harris. Nenhum deles sobreviveu. 
   O filme ainda mostra o resgaste do Beck Weathers, que chegou a ser dado como morto e reviveu em meio ao gelo, ao contrário da japonesa Yasuko Namba, que, apesar de uma alpinista tão experiente quanto ele, não resistiu.
Fonte: Uol
https://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2015/09/25/evereste-e-historia-real-baseada-em-erros-polemica-e-tragedia.htm
Link para download do filme
Obs: é preciso ter um programa próprio para baixar o arquivo torrent
https://www.seriesfilmestorrent.com/evereste-dublado-torrent/
  

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Precisamos falar sobre suicídio

                      Jovem comete suicídio depois de ter fotos íntimas vazadas na internet
 
    Uma adolescente de 16 anos cometeu suicídio na tarde da última quinta-feira, na cidade de Veranópolis, na serra gaúcha, depois que fotos em que aparecia com os seios à mostra se espalharam pelas redes sociais. A hipótese da polícia é que as imagens tenham sido captadas por uma webcam durante uma conversa com um ex-namorado, que também teria distribuído as fotos pela internet.
    O rapaz teria divulgado as imagens, captadas há cerca de seis meses, pelo Twitter e pelo Facebook no início da semana passada depois de terminar o relacionamento com a garota. Os dois eram colegas no segundo ano do ensino médio e terminaram o namoro há cerca de um mês. De acordo com as primeiras informações da polícia, a adolescente foi avisada por uma amiga sobre as fotografias e encontrada morta em casa poucas horas depois.
    Há pouco mais de uma semana, uma jovem do Piauí, com a mesma idade, também se matou após saber que imagens de um ato sexual do qual participava tinham sido propagadas pelo aplicativo de smartphones “Whatsapp”.
    O computador e o celular da estudante Veranópolis foram entregues nesta quarta-feira à polícia pela família, que também registrou ocorrência. Segundo o delegado Marcelo dos Santos Ferrugem, os responsáveis pela divulgação das fotos poderão ser enquadrados no artigo 241 A do Estatuto da Criança e do Adolescente, que qualifica como crime grave a disseminação de fotos, vídeos o u imagens de crianças ou adolescentes em situação de sexo explícito ou pornográfica.
    O nome do estudante suspeito de enviar as imagens para as redes sociais está gravado no printscreen da foto, feito da tela a partir de uma conversa via de internet em que a estudante mostra os seios pela webcam. De acordo com o delegado, outras pessoas também poderão ser responsabilizadas. Além do adolescente, todos os que compartilharam as imagens podem ser enquadrados no mesmo crime, segundo Ferrugem.
    Nos próximos dias, o delegado pretende colher o depoimento de outros parentes e amigos da jovem para esclarecer as circunstâncias da divulgação da imagem. Os nomes dos envolvidos no episódio estão sendo preservados a pedido da família da adolescente.

Fonte: O globo
https://oglobo.globo.com/brasil/jovem-comete-suicidio-depois-de-ter-fotos-intimas-vazadas-na-internet-10831415

A zoação do mal
   Acredito que boa parte dos leitores do blog deve saber que não sou muito fã do tal do Control V + Control C. Raramente copio um texto e colo por aqui e, quando faço este procedimento, sempre cito a fonte. Infelizmente um elemento anda copiando minhas publicações, e nem se deu ao trabalho de modificar algo, simplesmente copiou e postou em seu blog como sendo de sua autoria.
   Não sei se tudo o que posto é ético, moral ou se é considerado o correto pela sociedade e pela maioria das pessoas. Provavelmente que não, pois não sou parte da maioria e também não sou uma minoria, como sempre disse, a minha tribo sou eu e que os rótulos sejam jogados para o quinto dos infernos... Tenho inúmeros defeitos, mas a falsidade não está  na lista de minhas imperfeições e posso dizer que não existe coisa melhor no mundo do que olhar para trás e constatar que, apesar dos erros, fomos e somos uma pessoa coerente e justa.
   Há alguns dias atrás me deparei com a triste notícia do falecimento dessa jovem. Ela cometeu o autoextermínio ao saber que suas fotos íntimas foram vazadas na internet.
    O medo do julgamento e da opinião alheia pode nos fazer cometer muitas loucuras, inclusive tirarmos a própria vida, ainda mais na adolescência e no início da vida adulta. Infelizmente muitas pessoas sentem o mórbido prazer na desgraça alheia, até o momento em que algo semelhante aconteça com elas. Às vezes é necessário sentir na pele certas situações para as entendermos com maior clareza e precisão. Sempre me lembro do Padre Marcello Rossi que afirmou que fez bem a depressão chegar em sua vida, pois ele mesmo tinha um grande preconceito em relação à essa doença, afirmando que tudo não passava de frescura das pessoas acometidas por esse problema que é considerado o mal do século.
Padre Marcelo Rossi, antes e depois da depressão
    Essas pessoas, se não acontecer algo de ruim em suas vidas infelizmente irão continuar sentindo prazer e a se divertir com a desgraça alheia. Elas sentem tanto prazer com isso que até fazem questão de compartilhar as fotos íntimas para seus contatos das redes sociais.
    Mas será que sempre será preciso passarmos por estas situações para descobrirmos que o ato de julgar, debochar, zombar pode ser tão ou mais doloroso e destruidor do que uma agressão física?
   Confesso que também tinha muito preconceito em relação à esquizofrenia, a única referência que tinha sobre o assunto era a capa do álbum da banda Sepultura, que se intitula Schizophrenia e tem na capa uma pessoa amarrada com camisa de força, ao lado de dois enfermeiros.
    Resolvi postar sobre esse tema não muito agradável por que, além de ser um assunto muito importante, algumas feridas psicológicas podem não se cicatrizar e ficar para sempre em nossas mentes, impedindo de nos relacionarmos e vivermos normalmente.

A psicofobia em minha vida
    Passo por situação parecida até nos dias de hoje. Boa parte das dificuldades pelas quais passei relatei aqui no blog e no livro que escrevi, chamado "Mente Dividida". Atualmente ainda sou zombado por algumas pessoas, principalmente da vizinhança. Sinceramente não sei o motivo, pois geralmente não converso com ninguém e só saio de casa para almoçar, um típico pacato cidadão. Talvez muitos pensem que levo uma vida boa, que ganho bem e que me aposentei assim que entrei pela primeira vez em uma agência do INSS...
    Também alguns usuários de maconha que não gostam muito de trabalhar tentam me desestabilizar, pois nunca escondi que não sou a favor de certas coisas. Não estou citando o fato da maconha em específico, e sim o fato de perturbar a ordem alheia para fazer o uso da erva. Não sou maconhofóbico, só não acho legal deixar a vizinhança acordada a noite toda quando fazem o uso da erva. E se essas pessoas se sentam ofendidas com minhas declarações, poderiam muito bem ir à uma delegacia me acusando de maconhofobia... 
    - "Vamu trabalhar gente!"
    - "Ê vida boa...
    - Ô vagabundo!...
     Essas são frases que já ouvi, principalmente na rua onde costumo passar para ir almoçar. Procuro andar da melhor maneira possível, dentro de minhas condições financeiras e apesar de não gostar muito de lavar roupas. São alguns lavadores de carro e outros trabalhadores que implicam comigo um pouco. Não sei o que se passa na cabeça dessas pessoas, pois nunca disse uma palavra para elas. Acredito que estar em paz consigo mesmo pode ser a causa dessa situação, pois invejar a minha condição financeira não pode ser....
    Já ouvi comentários sobre o meu peso, se estou gordo ou se estou magro. Chegam a afirmar que sou louco, maluco e por aí vai. Praticam a psicofobia, e isso sim é crime previsto na lei. Mas não me preocupo com isso, pois não chega a me afetar e não gosto de confusão. No início ficava um pouco surpreso com esses comentários, mas infelizmente faz parte do cotidiano de algumas pessoas se preocuparem com a vida alheia.
    Na época em que trabalhava nunca cheguei a me preocupar se fulano ou ciclano trabalhava ou não, ou se recebia algum benefício do governo. Me chamam de vagabundo, mas se me aposentei é por que trabalhei duro por 17 anos seguidos de minha vida. Não gostava muito de férias e até entrava em depressão na época das chuvas, em que havia pouco serviço na área de sonorização. O trabalho era a minha diversão....
    Quando estava morando nas ruas, um policial chegou a tentar a me interpelar, mas no momento em que ele se aproximou de mim uma assistente social apareceu afirmando que me conhecia e me levou para um abrigo e assim pude começar o meu tratamento. Acredito que ela iria hesitar em me ajudar se não fosse um cara trabalhador e que ficasse o dia inteiro dando um "tapinha" em um baseado...
    E  hoje em dia não me preocupo mais com a opinião alheia. Surtei, enlouqueci e quase morri por que dava muita importância ao que os outros pensavam e achavam de minha pessoa.

     Surtar foi terrível, não desejo isso para ninguém. Mas tudo tem o seu lado bom, até as piores coisas possíveis que possam nos acontecer, É a tal da resiliência que nos faz tirar proveito dessas situações complicadas e nos tornar pessoas mais fortes e melhores.
 Surtar no meu caso teve lado positivo:
1- Conheci pessoas maravilhosas que me ajudaram bastante nos momentos mais difíceis.
2-Descobri que o mundo ainda tem jeito.
3-Aprendi a me conhecer melhor, que sou mais forte do que imaginava.
4-Conheci também os meus pontos fracos
5-Aprendi que existem os chamados transtornos mentais e que nem tudo é coisa do capeta.
6- Aprendi que as pessoas acometidas pelos transtornos mentais não são todas iguais, cada uma tem suas qualidades e defeitos como qualquer outro ser humano.
7-Aprendi que a pessoa com esquizofrenia pode realizar e executar tarefas
8-Descobri que pessoas más usam as palavras para fazer o mal ao próximo, e que a língua pode ser a pior das armas.
9-Aprendi a não dar valor a opinião alheia

    Vou parar no nono item, mas a lista do aprendizado com os surtos e as dificuldades que passei com a esquizofrenia é enorme. Me tornou uma pessoa melhor e mais forte. Posso me considerar um sortudo, pois acredito que não era para estar vivo neste momento. Tive uma vida bem interessante até antes de surtar, e, quando pensei que era o fim, fui resgatado e aprendi um monte de coisa que nem sabia que existia e hoje em dia me sinto uma pessoa útil ajudando as pessoas que estão passando neste momento o que passei há alguns anos atrás.
     Mas este final nem sempre acontece com todo mundo que é alvo de boatos, de fofocas, mentiras ou até mesmo o bullyng, que é a chamada zoação do mal. Muitos conseguem o autoextermínio, pois o sofrimento psicológico é tão ou pior do que o físico. Casos como o dessa menina infelizmente não são raros. Infelizmente boa parte da mídia prefere não comentar e noticiar sobre o suicídio, numa tentativa de tampar o sol com a peneira. Mas essa mesma mídia não se cansa de noticiar e dar atenção quando uma pessoa com algum tipo de transtorno mental comete algum ato de violência....
    Só falando e debatendo sobre o assunto é que algumas vidas poderão ser salvas. O silêncio em nada resolverá. Muitos pais têm medo e receio de falar sobre o tema e preferem ficar calados, talvez pensando que seja apenas uma fase, coisa de "aborrecente" mesmo. Nem todo mundo tem forças e consegue sobreviver à esse bombardeio mental que acontece quando temos nossa vida intima compartilhada por muitas pessoas que às vezes nem conhecemos.
comentário de um leitor do blog

    O comentário acima recebi dias atrás de um leitor do blog. Compartilho de quase toda a opinião dele. Só não concordo quando ele generaliza que o ser humano é um lixo, pois, como já relatei, conheci pessoas maravilhosas quando estava morando nas ruas de Belo Horizonte durante o meu primeiro surto psicótico. Sem a ajuda dessas pessoas, provavelmente não estaria aqui escrevendo estas linhas. É como se fosse uma corrente do bem, é uma forma de tentar retribuir de alguma maneira toda a ajuda que recebi. Claro que nem sempre poderei ajudar, também tenho os meus problemas e dias maus, pois algumas coisas não podem ser apagadas como se fossem palavras escritas  em um quadro negro... 
    Não tenho vergonha de minha loucura, ao analisar o mundo atual em que vivemos. Mas se pudesse de alguma maneira ocultar essa minha condição, faria isso sem a menor dúvida. Ao relatar a minha condição, estou exposto a qualquer tipo de comentário negativo, que não posso cometer nenhum deslize, pois serei taxado como maluco, doido, etc..
    Mas como moro de aluguel tenho que relatar a minha condição de aposentado para o dono do imóvel e, como em um passe de mágica, toda a vizinhança fica sabendo do fato.
     Mas não tenho vergonha, teria se fosse um traficante ou se tivesse que roubar para sobreviver. As pessoas ficam curiosas ao me verem andar todos os dias na hora do almoço e sempre voltando logo depois. Procuram saber o que faço da vida, e qual é a minha fonte de renda. Não tem como se esconder. E também não sou muito bom em mentir. Penso em um dia morar em uma pequena cidade do interior, mas não sei se também irei ser bem recebido ao falar sobre o motivo da minha aposentadoria.... 
    Voltando ao tema inicial da postagem, a minha mensagem para quem sofre algum tipo de bullyng, boato ou algo parecido é que a língua é o chicote do povo, e que pode ser a pior arma que existe, caso nos preocupemos demais com a opinião alheia. Procure alguma ajuda, nem sempre somos fortes para lidar com essa situação sozinho.
    E para quem tem o costume de se preocupar mais com a vida alheia do que a própria, pense e reflita que você mesmo poderá passar por situação parecida no futuro, que não nos pertence. Quem diria que o Padre Marcello Rossi, aquele que cantava com alegria em quase todas as emissoras de TV, músicas como "O vira de Jesus", "Erguei as mãos" teria que passar por uma forte depressão para entender que, assim como o coração, o fígado e outros órgãos, o nosso cérebro também pode adoecer.

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