terça-feira, 17 de outubro de 2017

Como abaixar os triglicerídeos de 653mg para 145mg em cinco meses!!!

   
    24/02/2017   Lá estava eu, as seis e meia da manhã na fila do posto de saúde do bairro para fazer a coleta de sangue para descobrir a quantas andam as gorduras no meu sangue. Já sabia que as taxas não seriam das mais baixas, devido ao meu sedentarismo provocado pelo meu hálux rigidus (o dedão do pé detonado). Ultimamente a única coisa que andava rígida em mim era o dedão do pé mesmo, já o resto prefiro nem comentar...
    E, aliando-se ao meu sedentarismo, a comilança desenfreada de chocolate, torta de chocolate, sorvete de chocolate, pudim e outras besteiradas mais. Se tivesse exame para detectar a taxa de chocolate no sangue... Já fiquei um mês sem comer chocolate, quando estava internado em uma clínica de recuperação. Naquele local haviam pessoas tentando se livrar do vício das drogas, do álcool, e eu do vício do chocolate. 
     Estava mais cansado do que de costume naquela manhã e quase dormi na fila. Depois de quase três horas saí do posto de saúde e em uma semana o resultado saiu e não poderia ter sido outro: 653mg de triglicerídeos e o colesterol também estava bem alto.
    A tristeza (não vou mencionar o termo depressão..) por não poder fazer o que mais gosto na minha vida me empurrava cada vez mais para o empanturramento descontrolado. Andar para mim é sagrado, o direito de ir e vir está entre os primeiros da minha lista. É só ver o relato de minhas andanças pelo nosso Brasil. Andar pela estrada real é um cansaço gostoso, um perrengue muito mais do que desejado e que pretendo volta a fazer ano que vem, caso meu pé tenha o problema solucionado.
    Então, a partir daquele dia me dei mais essa missão: abaixar os triglicerídeos para o nível normal e tentar terminar os outros dois caminhos da estrada real. Esse objetivo foi traçado obviamente também para melhorar a minha qualidade de vida. 
    Então diminui os doces, as massas, comecei bem de leve a fazer alguns exercícios físicos e passei a tomar três cápsulas de 1000mg de ômega 3 por dia. É uma gordura que pode vir de várias fontes: peixes de águas geladas, linhaça e outros mais. Mas, nessa quantidade, teria que comer quase uma dezena de salmão por dia. Então, a solução foi tomar o ômega 3 em cápsulas mesmo.  Quem acompanha o blog sabe o quanto aprecio esse tipo de gordura, faz bem a saúde física e mental. 
    Passei a consumir ovo cozido, já que meio que recentemente ele foi absolvido pela comunidade médica e não aumenta mais o colesterol. Quando era criança tinha medo de comer ovo, pois todo mundo afirmava que a gema dele continha colesterol para mais de dois dias!!!

    Aos poucos, fui emagrecendo e voltando ao meu peso normal. Comecei a ficar mais ágil, a andar com mais facilidade, e a raciocinar melhor também. Passei até a publicar mais postagens com menor intervalo de tempo, apesar da falta de assunto. 
    Com a ajuda de leitores do blog, consegui comprar um tênis super macio, o que ajudou ainda mais na minha parcial recuperação. Fico andando meio capengando, só a cirurgia para aliviar a dor do meu dedão do pé esquerdo. Mas com esse tênis a dor é bem controlada e dá para ir levando, sem ter aquela vontade enorme de falar um palavrão, pois é o que me dá na cabeça quando sinto dor. Que me desculpem os puritanos, mas falar um "bom palavrão" na hora da lesão alivia e muito a dor.
dedão do pé detonado..
     E passei até a jogar um futebolzinho de leve, que para mim também faz um efeito devastador na tristeza. O stress e os pensamentos negativos vão  embora juntamente com o suor. Passei até a treinar para o campeonato de futebol que é realizado todo ano entre todos os centros de convivência aqui de Belo Horizonte. Não é para contar vantagem, mas meu time foi campeão invicto  e  fui o artilheiro da competição. Improvisei um tênis cheio de borracha macia como solado para poder correr meio de lado sem detonar muito o tornozelo e outras articulações. O tênis me fazia chutar meio esquisito, não dava para pegar por debaixo da bola, o jeito então foi fazer gol de bicudo mesmo. 
peguei um tênis velho e colei um solado de borracha para não doer o dedão

   O campeonato é disputado todo ano na primavera entre todos os usuários do serviço de saúde mental da capital mineira. Haviam alguns jogadores lentos nos times, devido a medicação. Mas outros eram bem mais jovens do que eu e não pareciam estar sob o efeito dos antipsicóticos, principalmente o time que enfrentamos na final do campeonato. Foi muito difícil, pois na final e na semifinal eu estava também sob o efeito de medicamentos, havia tomado na noite anterior a clorpromazina e o fenergan, pois não estava conseguindo dormir. Passei boa parte da noite imaginando como seria o jogo da final. Me via marcando gols, roubando a bola, dando passes. Se continuasse daquele jeito, iria acordar mais cansado do que se estivesse correndo a maratona da lagoa da pampulha.  
   E o jogo da final foi complicado. Em cinco minutos já estávamos perdendo de 2x0. Fui tentar enfeitar e acabei dando a bola pro adversário fazer o segundo gol. Mas não sei como mantive a calma, mas também estava sentindo que iríamos levar uma goleada. De repente, em um lance meio despretencioso, me deram um passe um pouco a frente do meu alcance, e eu, sem titubear escorreguei pela quadra de cimento e dei um carrinho na bola para diminuir o placar. 
   Era o que precisávamos para readquirir a confiança. Não comemorei o gol e já fui logo para a barreira para impedir o chute do time adversário no meio de campo. O jogo foi mudando de figura e passamos a tocar melhor a bola. Ficamos mais calmos e numa boa tabela deixei o atacante na cara do gol: 2x2. E fim de primeiro tempo.
    Estava muito cansado, queria tomar uma ducha para relaxar a musculatura, mas o banheiro estava fechado. A clorpromazina deixa meus músculos endurecidos e também estava com um torcicolo brabo, que me impedia de jogar normalmente. Estava à beira de um colapso físico, mas disfarcei da melhor maneira possível, para não ser substituído pelo treinador. É, no campeonato a coisa fica séria, todos os times tem o seu técnico e tudo mais. 
   Segundo tempo e fomos logo virando o placar: sinceramente não me lembro como foi o o gol. Foi de um cara magrinho mas que sabia tocar a bola, só não tinha força física. Comemorei mais o gol dele do que os que eu fiz em todo o campeonato. Mas a alegria durou pouco. O goleiro do time adversário lançou a bola para o campo adversário e de cabeça, o atacante deles fez um gol em nosso goleiro que estava um pouco adiantado. E, também por causa das dores não fiz uma pressão no atacante, que teve tempo e espaço para pensar onde iria cabecear a bola.
    Mas estava concentrado e determinado. Já estou com 49 anos de idade e sabia que seria um dos últimos campeonatos de minha vida. Não perdi a calma e fui jogar mais atrás, na defesa, pois minhas pernas não mais obedeciam aos meus comandos. É, não deveria ter tomado a clorpromazina...
    Nosso time continuou jogando bem e, faltando cinco minutos para terminar a partida, o zagueiro do time adversário cometeu uma falta em nosso atacante. Na cobrança, tocaram a bola para mim, que estava no meio de campo. Chutei sem muita força, mas bem colocado no canto direito do goleiro. Mas, antes da bola entrar o nosso outro jogador entrou e fez o gol da vitória e do titulo.  Não importa o autor, o importante é que conseguimos a vitória e tirarmos a hegemonia de vários anos do centro de convivência do Barreiro, um bairro aqui de Beuzonte. Nos minutos finais só seguramos o placar, e caí duas vezes por desgaste muscular. No apito final desabei e nem consegui dar  a volta olímpica. Mas a verdade é que quem me incentivou a jogar bola foram meus companheiros de time. Eles estavam treinando para o campeonato em uma quadra não muito boa, com o piso áspero, e, para piorar, ela não é coberta. E o treinamento era uma e meia da tarde. Vê-los treinando naquelas condições me encheu de vontade também de participar, apesar do problema no pé. Então, nada mais justo do que deixá-los darem a volta olímpica, dei o meu máximo para a conquista do título, mas eles fizeram algo muito mais valioso por mim, que é de não desistir da luta, apesar das condições adversas. 
    Mas o mais importante nesse campeonato foi a participação de todos os jogadores, que fizeram um jogo limpo em todas as partidas e não houve nenhuma briga ou confusão, ao contrário de outros jogos que vemos por aí...
   Mas voltando a minha taxa de triglicerídeos, ai está ela, depois de cinco meses de ômega 3, exercícios físicos e uma maneirada nas guloseimas: 145mg. 
    A psiquiatra não queria me passar um segundo exame, quando relatei que tive uma melhora. Ela só iria me passar o exame caso tomasse o medicamento prescrito por ela. Mas eu recusei, e apesar dela não ter me incentivado, parti para esse tratamento alternativo que indico para todos. Além de baixar os triglicerídeos, me deixou melhor fisicamente e mentalmente. Essa psiquiatra até que me ouve, mas com muito esforço. Mas não adianta só ouvir, é preciso relevar e levar em consideração o que o paciente tem a dizer. Acredito que no SUS a maioria dos profissionais sejam assim. Claro que tem exceções, e gostaria muito de agradecer os profissionais da saúde mental que me ajudaram nessa minha caminhada. Em São Paulo fui muito bem atendido pela rede de saúde mental nos CAPS e sempre fui muito bem recebido na PROESQ, quando ia lá para conversar com o pessoal e ficar usando a internet do local.
    Acho que só fui uma vez em um médico particular. Deveria ter uns seis anos no máximo. O consultório era muito confortável. A minha avó estava preocupada com o tamanho do meu bilauzinho e me levou neste local Me lembro que a médica pediu para me deitar em uma maca, ficou mexendo no meu brinquedinho até ele dar sinal de vida e disse que estava tudo bem, que era da idade mesmo. Mas será que o que ela estava pensando era isso mesmo? 
      Na minha humilde opinião, o médico tem a função também de aconselhar os seus pacientes, e não de apenas um mero "preenchedor" de receitas... Pelo menos é isso o que sinto na maioria das minhas consultas pelo SUS... 
    Abaixo as medalhas que ganhei com o time campeão e a artilharia do campeonato. Mas o mais importante é não perdemos para nós mesmos no jogo da vida... 
não é de ouro, mas essas medalhas  para mim valem muito mais....
o antes e o depois, sem medicamentos...

uma caixa de bombom para comemorar a baixa dos triglicerídeos por que não sou de ferro...

domingo, 15 de outubro de 2017

Ajudem a manter o blog

     Hoje não irei falar sobre saúde mental, sobre andanças e nem sobre o que costumo postar normalmente aqui no blog.
Serei o mais breve e simples possível. O titulo da postagem se refere à ajuda para a manutenção do blog, mas não é bem isso. A verdade é que não tenho custo nenhum em escrever estas humildes postagens. Faço tudo isso com o maior prazer, sempre gostei de escrever, e se puder com isso ajudar de alguma forma as pessoas, também estará ajudando a mim mesmo, me tornando uma pessoas mais útil para a sociedade.
    Acredito sim que o que escrevo tenha alguma utilidade sim, pois infelizmente no Brasil o atendimento na área da saúde mental ainda deixa muito a desejar, apesar de alguns progressos. Um atendimento mais humanizado, em que a consulta seja um verdadeiro "Diálogo Aberto" é o que sempre desejei que acontecesse. Mas infelizmente o que vejo é a falta de diálogo e confiança na relação paciente e médico. E também deixa a desejar por falta de estrutura, apesar de termos sim bons profissionais e bem intencionados.
   Mas voltando a questão da manutenção do blog, repito que não existe gasto nenhum.  Já houve algum gasto, quando estava fazendo as minhas andanças e aí tinha que pagar pelo acesso à internet em alguns locais. Mas também repito que foi e é o maior prazer tentar ajudar algumas pessoas, quando estou me sentindo bem.
    Então o que peço nesta postagem não é uma ajuda para a manutenção do blog, e sim para mim mesmo. Estou em uma situação financeira um pouco complicada, pois atualmente estou morando em um local um pouco acima do meu orçamento. Estou morando atualmente neste local pois é o que consegui achar, pois os quesitos que mais aprecio em uma morada são: a paz, a tranquilidade e o respeito. Infelizmente tive que sair de dois locais com um aluguel mais barato devido ao fato de não poder dormir direito, devido à bagunça e a falta de respeito ao sono alheio, já que alguns moradores ficavam até altas horas da madrugada conversando e fazendo outras coisas que não são adequadas em um local onde várias pessoas de hábitos diferente convivem.
   Devido à este aluguel em alguns meses a situação fica complicada, mas dá para ir levando. Poderiam me dizer para voltar a trabalhar. Confesso que se tivesse condições para tal, nem teria cogitado a possibilidade de me aposentar. No momento tenho que ir me virando com o salário mínimo da aposentadoria, ou seja, quase metade do salário é para o aluguel. No momento ainda estou à procura de algum quarto mais barato, mas que tenha o mínimo de tranquilidade, pois sei que as horas de sono são muito importantes para a minha saúde mental. Aliás, é para todos.

    Muitas pessoas já me ajudaram desde que o blog foi fundado. Mas não peço nenhum sacrifício por parte dos leitores. Não é uma obrigação, Qualquer valor é bem vindo, pois com todos ajudando com pouco poderei sair desta situação. O valor pode ser depositado em qualquer agência lotérica ou em qualquer banco e até através do internet banking, na seguinte conta:
Caixa Econômica Federal
   Julio Cesar dos Santos de Oliveira
   Agência 2332 Ipatinga MG
   Caixa Econômica Federal
   Operação 013
   Conta 00035331-3
email: juliocesar-555@hotmail.com
   Atualmente estou morando em Belo Horizonte, a conta ainda é da cidade de Ipatinga, mas ainda a uso para estes fins aqui no blog, pois não uso o cartão que recebo a minha aposentadoria para outros fins. Também a compra do livro que escrevi me ajudaria bastante, no momento estou vendendo somente no formato PDF, que é enviado através do email ou pelo facebook mesmo.
O link para maiores informações sobre o livro Mente Dividida
http://memoriasdeumesquizofrenico.blogspot.com.br/2012/08/mente-divida-memorias-de-um.html

   Caso não tenha condições de ajudar, não tem problema algum. O blog como já  disse é feito com o maior prazer e sem intenção de algum tipo de retorno financeiro. Só o fato de me sentir uma pessoa útil já é o bastante e suficiente para continuar a escrever. A participação de todos pelos comentários também ajuda bastante a enriquecer as postagens.
Obrigado.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Postagem especial do dia das crianças

    Como já fiz duas postagens sobre  o dia dos namorados, resolvi, assim de sopetão, fazer esta postagem. Não irei guardar para tentar melhorá-la depois. É mais uma das minhas postagens malucas e inesperadas, como quase sempre foi toda a minha vida. Se postei sobre o dia dos namorados sem ter uma namorada (qui dó qui dó...) por que não postar sobre algo que está dentro de todos nós?
    A maioria das minhas postagens é assim mesmo. Parece que baixa um santo e vou meio que psicografando a coisa, só guardando para jogar no word depois para dar uma revisão em possíveis erros de português. Dessa vez nem no word poderei jogar, pois instalo e desinstalo tantos programas no meu pc que ele ficou tão bugado que nem o word está aceitando mais e terei que confiar no meu parco conhecimento da nossa língua pátria 
     Às vezes bate uma ou outra ideia para complementar a postagem também. Outras já nem cheguei a publicar, guardando-as ou então excluindo-as. E foram as postagens em que mais tempo dispensei para fazê-las. Muitas vezes cheguei a me surpreender ao reler algumas postagens que fiz de sopetão, de tão interessantes que ficaram. Já as que gastei mais tempo normalmente não achei muito legal não. Acho que nem vou curti muito esta postagem, mas não poderia deixar aqui de falar sobre o dia das crianças, em nosso mundo atual em que o ódio infelizmente está dominando tudo, não só o mundo virtual como o real. Considero o mundo virtual apenas uma extensão da própria pessoa, não é a internet que faz as pessoas ficarem ruins ou boas, são as próprias pessoas que acabam tornando a web um mundo hostil.
minha única recordação em papel de minha infância, perdi as minhas fotos no meu primeiro surto psicótico.

    Mas o que seria essa criança interior? Será que teríamos que sair por aí brincando de esconde esconde para ressuscitá-la de dentro de nós? Não é bem assim, falo criança no sentido de nos livrarmos de todo o mal que está presente nesse mundo conturbado em que vivemos atualmente.
    É difícil, chegando quase a ser impossível termos esse nível de não maldade em nossos corações. Se somos inocentes e bonzinhos, certamente que não faltarão espertalhões querendo se aproveitar de nossa bondade. Então sejamos uma criança esperta, sabendo distinguir quem está querendo se aproveitar de nossa criança interior.  Sejamos uma criança madura, sabendo o momento de se divertir e brincar, e também o momento de levar as coisas a sério. Tem muita criança de idade cronológica mais madura do que muitos adultos por aí.
    Não poderia de mencionar o termo esquizofrenia, é claro. Já ouvi dizer por ai em algum grupo do facebook que a esquizofrenia é a negação da realidade. Talvez essa negação seja sim um componente em algumas esquizofrenias, pois geralmente ela acontece durante a transição do mundo adolescente para o mundo adulto. E não é fácil começarmos a conhecer a pesada realidade do mundo adulto. Confesso que no meu caso demorou bastante até conhecer bem a maldade humana. Mais vale um joelho ralado do que um coração partido...
    Não foi e acho que não será raro o momento em que me passo relembrando de minha infância, e em muito desses momentos me bateu uma imensa vontade de que o tempo parasse exatamente naquela época, entre os oito e doze anos de idade, em que a minha preocupação principal era saber quem levaria a bola para a rua, para podemos dividir os times e começar a brincadeira. 
    De uma hora para outra me veio essa música, já a tinha esquecido por completo. Não baixei e transferi para o meu celular e nem para o notebook, pois confesso que ela toca a gente lá no fundo do coração. Parece que a autora da letra sabia exatamente o que se passava em minha mente quando relembrava e relembro ainda os bons momentos da minha infância.
   Queria escrever mais algumas linhas, mas a letra dessa música já diz tudo...

Era uma vez

O dia em que todo dia era bom
Delicioso gosto e o bom gosto das nuvens
Serem feitas de algodão
Dava pra ser herói no mesmo dia
Em que escolhia ser vilão
E acabava tudo em lanche
Um banho quente e talvez um arranhão
Dava pra ver, a ingenuidade a inocência
Cantando no tom
Milhões de mundos e os universos tão reais
Quanto a nossa imaginação
Bastava um colo, um carinho
E o remédio era beijo e proteção
Tudo voltava a ser novo no outro dia
Sem muita preocupação

É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido
É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido

Dá pra viver
Mesmo depois de descobrir que o mundo ficou mau
É só não permitir que a maldade do mundo
Te pareça normal
Pra não perder a magia de acreditar na felicidade real
E entender que ela mora no caminho e não no final
É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido
É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido

Era uma vez

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Missão dada é missão cumprida!


    Sempre tive um leve complexo messiânico, até mesmo antes de surtar gravemente pela primeira vez no ano de 2002. Achava que era de alguma forma um ser especial com uma missão especial para ser realizada aqui neste planeta. E também achava que era protegido por uma força superior, que eu costumava chamar de anjo da guarda. Esses pequenos delírios retrato na minha postagem "Complexo messiânico", por isso não estenderei sobre o que sentia e pensava antes de surtar.
   Já durante o surto tudo tomou uma proporção absurda e cheguei por algum momento a acreditar que era o próprio Messias, pois as iniciais do meu nome também são o J e o C. E na época do surto eu tinha 32 anos de idade e acreditava que não iria passar dos 33...
    Essa fase foi muito complicada e difícil. Quando estava peranbulando pelas BR's achava que seria morto de uma forma bem cruel, assim como Jesus também morreu. As vozes só falavam em me matar, aonde quer que eu fosse. A mania de perseguição me perseguia além das fronteiras municipais de Minas Gerais. Não adiantava mudar de cidade, haviam inimigos imaginários por toda a parte. Muita gente pensa que a pessoa que tem esquizofrenia fica pensando que tem um amigo imaginário, quando na verdade, acreditamos ter vários inimigos imaginários, mas que são reais em nossa mente, principalmente quando estamos surtados.
    Imaginava que seria arrastado pela multidão, que iriam furar meus olhos e quebrar as minhas duas pernas, como forma de castigo por tudo de ruim que pensava ter feito em meus 32 anos de vida. Imaginei todos os tipos de morte e castigo, menos as rápidas, como um tiro na cabeça, por exemplo. Tinha que ser tudo lento e bem sofrido para compensar os meus pecados. O sentimento de culpa exagerado também pode ser um dos sintomas da esquizofrenia...
    Certo dia, ou melhor, certa noite, quando estava peranbulando pelas BR's, cheguei a ter uma alucinação visual bem interessante e horripilante: vi algo bem parecido com a sombra da morte andando pela estrada. Mas como eu sei que o que vi era uma alucinação? É que analisando friamente hoje em dia dá para relembrar que a suposta sombra da morte não andava pela br, e sim deslizava suavemente e bem lentamente também. Parecia com a sombra da morte, e andava com a cabeça curvada para baixo e com aquele manto, parecendo também um monge beneditino, só que com a cabeça coberta.
tive uma alucinação visual bem parecida com essa... 

   Na primeira vez que a vi, senti um forte calafrio na nuca, até parecia que estava saindo eletricidade dessa região do meu corpo. Algo me fez olhar para trás e lá estava ela, desfilando elegantemente pela estrada, sem ao menos me olhar. Confesso que tive um pouco de medo, mas não saí correndo ou gritei. Sempre achei a minha vida um tédio e torcia para que acontecesse algo de sobrenatural. Poderia ser um espírito, um et, um duende, fada, sei lá, qualquer coisa, mas tinha que ser sobrenatural.
    Quando a sombra desapareceu no final da estrada, continuei a minha caminhada. Prentedia ir para o Rio de Janeiro a pé, para tentar fugir dos inimigos imaginários que só estavam em minha mente. Resolvi ir de noite para dificultar o reconhecimento desses inimigos.
    Mas não demorou muito e a sombra apareceu novamente, desta vez caminhando em direção contrária à minha. Estava com o mesmo aspecto e aparência e deslizava lentamente pela br assim como da sua primeira aparição.
   Mas desta vez não tive medo, queria até conversar com ela, perguntar se estava procurando por minha pessoa. Queria saber por que não conseguia tirar a minha própria vida, ou então por que a dona morte não vinha me buscar, depois de várias tentativas frustradas de encontrá-la. E também confesso que passei por situações complicadas por se achar superprotegido pelo meu anjo da guarda, e o fato de não ter morrido por causa dessas situações também me deixava bastante intrigado naquele período de pico do surto psicótico que tive. E. para piorar tudo, uma voz havia falado que eu já havia me transformado em uma alma penada e que não precisaria mais me preocupar com nada, nem com alimentação, nem com o frio, nem com o calor e nem mais com as roupas. Confesso que quando ouvi essa voz não fiquei triste e sim aliviado, pois, como alma penada não poderia mais ser visto pelos meus inimigos imaginários. Bem, essa é uma história que conto por completo no meu livro "Mente Dividida, Memórias de um esquizofrênico", distribuído por mim mesmo, pois como não sou fã dos medicamentos, dificilmente irei encontrar algum apoio no meio da saúde mental para publicar essas minhas aventuras. Mas não ligo, não quero ter que perder a minha liberdade apenas por ter algo publicado ou ter apoio, fico completamente satisfeito em ter o meu espaço aqui neste humilde blog e escrever as coisas da maneira que gosto e da maneira que gosto de escrever.
No link abaixo tem todas as informações sobre como adquirir o meu livro:
http://memoriasdeumesquizofrenico.blogspot.com.br/2012/08/mente-divida-memorias-de-um.html
    Mas, voltando ao encontro com a dona morte, não falei nada com ela, mas queria que ela me levasse naquele dia. E em outros dias também, confesso. Principalmente antes de surtar, quando não me conhecia e nem me compreendia totalmente.
    Acredito sim que a dona morte quisesse me levar naquela noite, mas acho que alguém lá em cima resolveu intervir, e disse para a dona morte ir embora e me deixar quieto, pois teria algo para me dar para fazer. E creio que seja exatamente isso o que estou fazendo aqui neste blog ao longo desses cinco anos de postagens e mais postagens. Algumas boas, outras mais ou menos, e outras que nem dá vontade de rele. (Ando revisando minhas postagens, acredito que melhorei um pouco a minha escrita com a prática ao longo desses anos). 
    Acho que alguém lá em cima pediu para a dona morte me dar mais um tempinho aqui na terra e tentar levar uma mensagem positiva e de esperança, de que a esquizofrenia é sim complicada de se lidar, mas também não é o fim. Existem dias sim que estamos mal pra caramba, pensando que é o fim de tudo. Às vezes fico tão desanimado, com tanta falta de energia por causa dos sintomas negativos da esquizofrenia, que passo a acreditar que tenho uma doença grave, que tenho algum problema no coração, ou algo parecido. Quando entrei em depressão pela primeira vez fiquei tão mal que emagreci cerca de 12kg, e estava tendo diarreias frequentes e sentindo muita fraqueza e passei então a acreditar no boato de que estava com aids... Aí foi quase o fundo do poço. Boa parte da cidade onde eu morava na época e até eu mesmo já havia decretado o meu fim...
   Mas, não sei por que, tudo pode mudar. Pode demorar, mas muda. Talvez seja as variações de humor que podemos ter. Elas não são sintomas exclusivos da bipolaridade, quem tem esquizofrenia também pode viver nessa roda gigante.

Passei e ainda passo por maus momentos, e tudo levo como aprendizado. Não ligo para as indiretas que algumas pessoas fazem, afirmando que tenho uma vida boa só por ser aposentado. Ganho um salário mínimo e não gasto com drogas ou álcool. Então se sobra algum dinheirinho para fazer uma pequena extravagância (comprar um doce, por exemplo) é por que consigo de alguma forma administrar o pouco que ganho. Se hoje de alguma forma me tornei uma pessoa melhor é por que aprendi algo que só a escola da vida pode nos ensinar.  
E não é algo sobre a vida dos outros, sobre como se comportar ou como ser em nossas vidas... É o duro e difícil aprendizado de nós mesmos... Ainda tenho muito que aprender sobre como lidar com as pessoas. Mas o primeiro passo já foi dado.
   Então hoje, sem delírios e complexos, acredito que tenho uma missão. Uma missão que podemos dar a nós mesmos e não aquela que só os "escolhidos" e santos as têm.
 Podemos sim de alguma forma ajudar a nós mesmos e aos outros. Me tornei uma pessoa melhor ao saber através dos comentários aqui no blog e por email que de alguma forma ajudo as pessoas a entenderem um pouco esse mistério chamado esquizofrenia.
Eu me dei uma missão, e você, já deu a sua para si mesmo?

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A pessoa que tem esquizofrenia pode morar sozinha?


     Outro dia desses, nas minhas andanças virtuais me deparei com uma matéria em que o assunto era exatamente o título desta postagem. Desta vez não precisei gastar os meus poucos neurônios que me restam para bolar um título chamativo para mais uma das minhas trezentas e tantas publicações.
     O que me incomoda mais é o rótulo, pois  geralmente se referem a nós como "o esquizofrênico", ou até mesmo de uma forma mais interessante como essa do título da postagem. 
    Já vi e ouvi todo tipo de  pergunta: 
    "O esquizofrênico pode dirigir"? "O esquizofrênico pode casar e ter filhos"?, etc.. Esse tipo de questionamento me dá a impressão de que as pessoas em geral imaginam que todo mundo que tem esquizofrenia é igual, que temos as mesmas características, o mesmo comportamento, o mesmo nível de inteligência, habilidades. etc...
     Mas nessa postagem irei apenas falar sobre a questão de morar ou não sozinho. Me considero apto a falar sobre o assunto, pois saí de casa aos 17 anos para começar a trabalhar. A minha avó materna, que sustentava a família havia falecido e a mordomia se acabou. Tive que parar o meu curso de eletrônica no último ano e então comecei a trabalhar na área de sonorização, graças à uma mentirinha "branca" (pode isso Arnaldo?) que contei para o dono da firma em que estava procurando emprego. Cheguei logo falando que já era técnico em eletrônica e que sabia consertar todo tipo de amplificador. Fui contratado na hora, mas também não demorou muito para o dono descobrir que eu apenas era um iniciante no assunto da eletrônica de equipamentos de sonorização....
     Mas ele não me mandou embora e assim comecei a aprender os mistérios daqueles inúmeros botõezinhos das mesas de som. E foi mais ou menos assim que fui levando a vida, sendo eu mesmo em empregos que era exigido sim o compromisso e seriedade, mas também não era preciso ficar com a cara carrancuda o tempo todo, ou então fingir para tentar agradar à todos se trabalhasse com vendas, por exemplo. Acredito que nunca iria dar certo em outros trabalhos em que fosse necessário usar um disfarce, como em um banco. Teria que usar um disfarce de uma pessoa certinha, que tem horário para tudo, enfim, uma pessoa considerada normal pela sociedade.
    E assim fui levando a vida, até os 32 anos de idade, quando os surtos começaram a aparecer, juntamente com um sentimento de culpa exageradíssissimo e o complexo messiânico também, afinal estava prestas a completar 33 anos e meu nome começava também com as mesmas iniciais do messias dos católicos.
    E fui feliz nesses anos todos? Me arrependo de algo que fiz ou que não fiz?
    Claro que fui feliz, a liberdade de ser quem eu sou não tem preço. Também tive muitos momentos tristes, como qualquer ser humano deste planeta. Desconfio muito de pessoas que afirmam serem felizes o tempo todo, talvez seja um disfarce também dos normais. E também me arrependo de muitas cagadas que fiz em minha vida, e de muita coisa que não fiz ou deixei de falar. Não sou perfeito e nem tenho a pretensão de ser, então errei e creio que continuarei a errar por um bom tempo. Mas, claro que não uso e nem usarei a imperfeição como pretexto para meus deslizes...
    Resumindo, a pessoa que tem esquizofrenia pode ou não morar sozinha, assim como também acontece com alguns "ditos normais" que não tem maturidade o suficiente para morarem sozinhos ou mesmo responsabilidade, sempre vivendo ao lado dos pais. Ou falta coragem também, sei lá. Mas a minha intenção aqui nesta postagem não é a de querer mostrar que o correto é sair de casa e morar sozinho, não é isso. Acho legal uma família unida, bem estruturada em que haja o diálogo e respeito em toda parte. Mas, caso isso não aconteça, o que tem demais em ir morar sozinho? Se uma pessoa não é compreendida e respeitada em seu próprio lar, não seria mais fácil e melhor morar sozinha, mesmo que com algumas inseguranças e perrengues? A pessoa com esquizofrenia muitas vezes sai de casa justamente por que não é respeitada em seu lar, é chamada de fresca ou preguiçosa, quando na verdade está muito sonolenta por causa dos efeitos adversos dos antipsicóticos.
    A pessoa que tem esquizofrenia tem sua individualidade. O que pode acontecer é que boa parte dos portadores possam ter alguns comportamentos semelhantes, como a desconfiança exagerada e ser uma pessoa mais arredia. Cada um tem seu nível de inteligência, sua maneira de ser e pensar. Acredito que boa parte se sente melhor quando estão sós, o que é o meu caso. A pessoa que tem esquizofrenia pode morar sozinha, pode dirigir, pode namorar, casar e ter filhos. Pode até escrever um blog como eu escrevo. Um blog meio maluco, mas é um blog...

    Então, como acontece com os "ditos normais" alguns portadores de esquizofrenia tem capacidade de morar sozinhos, enquanto outros já não conseguiriam ter essa independência. Tudo também depende da gravidade do caso, é óbvio.
    Um fator que pode ajudar muito na questão da independência de morar sozinho é o autoconhecimento. Uma pessoa que tem esquizofrenia precisa e muito se conhecer. Saber quando as coisas estão mais ou menos dentro da normalidade, saber quando está prestes a surtar, etc.. Sim, é possível sentir em alguns casos quando estamos prestes a surtar, claro que isso só vem infelizmente com a prática no assunto surtos.... Não é rara a auto internação, quando a pessoa sente que não está bem e que o melhor é dar um tempo e seguir o tratamento em um local que ela ache mais adequado.
    Um exemplo para ilustrar como aprendi algo com a prática nos surtos. Me lembro muito bem da segunda vez que pirei e saí fora da realidade. Ainda estava trabalhando, dormia na firma mesmo. Éramos vizinhos de uma serralheria, e os caras começavam a trabalhar por volta das sete e meia da manhã, hora em que eu ainda estava começando a pensar em levantar da cama, pois muitas vezes já estava acordado, apenas cochilando
    E sempre ouvia aquele barulho irritante daquelas máquinas cortando metais para confecção de portas, janelas e outros itens. Era um som irritante, mas suportável. Mas, me lembro muito bem, quando estava surtando pela segunda vez, a cada dia que passava tinha a sensação de que as máquinas estavam se aproximando de mim, de tamanha irritação que o som delas me provocava. Quando o surto veio a impressão que tinha era de que a minha cama havia sido tele transportada para o meio daquela serralheria...
     Então, atualmente quando sinto que fico facilmente estressado e apavorado com os sons do dia a dia começo a ligar o meu estado de alerta, e aí analiso se vale a pena ou não  reatar a minha relação com a "Clô"...
Obs: Para quem não acompanha o blog, "Clô" é o apelido que dei para um antipsicótico antigo chamado cloprormazina, que, para o meu caso quebra um galho nesse tipo de situação. Só não tomo por um prazo maior pois me dá uma prisão de ventre muito forte, além de dores na barriga, urticária (dermatite de contato), torcicolos... E também tenho receio dos sintomas extrapiramidais, que podem aparecer com o uso prolongado: tremores, rigidez muscular, movimentos involuntários da face e de outros músculos...


    Já são 30 anos morando sozinho, e pretendo continuar assim. "Ah, mas se você envelhecer, quem irá cuidar de você"? Sei lá, talvez eu vá para um asilo, ou um outro lugar que me acolha com um salário mínimo. Ou então eu vá morar por aí, continue as minhas andanças, sei lá. Só sei que a "solitude" é uma condição indispensável para a minha paz interior e para minha alegria. E também nunca iria ter filhos pensando na minha velhice, caso tivesse queria que eles curtissem a vida com responsabilidade antes de começarem a terem responsabilidades, ao invés de ficarem cuidado de um velhinho maluco que deverei ser...

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O domingão do esquizo....

    Estou algum tempo em silêncio e algumas pessoas que acompanham o blog chegam a me perguntar o porque de não estar publicando mais com certa frequência. Bem, são vários motivos que me levaram à essa ausência de postagens:
    1-Creio que a falta de paz no local onde moro seja o principal motivo. A falta de respeito ao sono alheio me incomoda demais, não sei se mais do que deveria. Mas gostaria apenas que as pessoas respeitassem o meu sono assim como respeito o sono dos outros. Sem um sono razoável minha saúde física e mental vão pro espaço. Sem contar os xingamentos durante o dia, palavrões impublicáveis durante o dia inteiro, ameaças,  e outras palavras que para mim trazem uma energia negativa. Claro que não sou santo, às vezes falo palavrão, principalmente quando me machuco, mas daí para se tornar palavras comuns no dia a dia é uma longa distância...
    2-Falta de assunto- Este também é um motivo importante. Afinal são quase cinco anos de blog, 268 postagens (algumas até boas, outras nem tanto, e outras nem tenho tanta coragem de ler...).  Se é para ficar postando merda melhor nem postar né? Mas sempre estou entrando no blog para responder às dúvidas e comentários das pessoas, o qual faço com o maior prazer. Os posts mais visitados são sobre os medicamentos, mas garanto que irão achar muita coisa boa no meio dessas quase 300 postagens, principalmente as crônicas, em que falo sobre assuntos banais e do nosso cotidiano.
no final da página é possível pesquisar o blog através dos "marcadores"... 

    Até que ultimamente o local onde moro voltou a ser um local tranquilo de se morar, após a saída de um dos "badernistas". O "badernista" remanescente parece estar um pouco amuado, pois no momento não há um outro badernista no local para ele conversar, e a proprietária não está permitindo muito a entrada de visitantes, evitando assim que a laje acabe se tornando um maconhódromo. Maconhódromo tem acento? Depois dessas reformas gramaticais, agora nem o google resolve.. E se não tiver no dicionário, podem me considerar o criador dessa designação de locais aonde se pode pitar a erva danada sem ser incomodado. 
   Com essa tranquilidade, pude enfim ter algumas noites tranquilizantes e revitalizantes. Ouvir o som do silêncio por alguns minutos também me ajuda e muito no equilíbrio físico e emocional. Estou mais disposto, calmo e tranquilo. Estou tão animado que resolvi escrever esta postagem que fala sobre os meus domingos atuais. Confesso que cheguei a pensar em comprar uma barraca e me enfiar no meio do mato por alguns dias...
   Quando criança não gostava muito dos domingos: não tinha aula (não que gostasse das aulas, gostava sim do recreio, de fazer bagunça na sala, etc...), os colegas do bairro iam nadar nos clubes com suas famílias,iam  ao zoológico ou em parques. E eu ficava em casa, esperando a tarde chegar para assistir ao jogo do meu time de coração, que passei a torcer desde os oitos anos de idade e que não irei falar no blog qual é, para evitar divergências, pois sei que o meu time é o melhor do Brasil e que só está passando por uma "fasesinha" ruim e está sem conquistar um grande título desde 2009. A copa do Brasil de 2013 não conta não.
     Depois que comecei a trabalhar como operador de som domingo passou a significar dia de trabalho, e o dia de dormir o dia inteiro passou a ser a segunda feira. Fim de semana e feriado eram os dias que mais trabalhava. Trabalhei até no natal algumas vezes, comendo hambúrguer de ceia... Mas não é uma reclamação, pois se existia algo que eu gostava de fazer era trabalhar como operador de som. É um desejo meio esquisito, é algo parecido como juiz de futebol: só aparece quando algo dá errado, quando o som está ruim, quando tem microfonia e outras coisas mais. A banda pode ser ruim, o cantor desafinado, mas a culpa é sempre do operador de som. Mas era um prazer quando regulava o som e saía tudo certinho. Me sentia um regente de uma ópera, apesar de ninguém estar percebendo, afinal só estava fazendo a minha obrigação.  Era cada situação que daria um livro para contar essa vida de um operador de som.
   E os meus domingos atuais? Para um aposentado e fóbico social o domingo é apenas mais um dia da semana, como todos os outros. Na minha situação é um dia que não gosto muito, pois o restaurante popular fica fechado e aí tenho que gastar uma grana a mais para almoçar. Cheguei a pensar em ir aos domingos em locais de doação de comida que ia quando estava morando nas ruas, devido ao meu surto psicótico, mas prefiro ficar em casa mesmo.
    Quando me mudei para o endereço atual, passei a adotar a seguinte estratégia aos domingos: me empanturrar de rocamboles e outras besterias na padaria na parte da manhã e voltar a cochilar e acordar somente na parte da tarde, para assistir ao jogo de futebol no domingão. A digestão era tão lenta que me sentia uma cobra após comer um boi... O restante do dia passo e acho que ainda vou passar por um bom tempo na frente do notebook, no facebook, visualizando os vídeos de animais, lendo as páginas sobre saúde, sobre como abaixar os triglicerídes e outras coisas mais que todo bom hipocondríaco gosta de ler, sobre as doenças que ele tem e as que imagina ter, sobre as bebidas e chás milagrosos que prometem nos dar a saúde em 30 dias, etc...
    De tarde comia um ovo cozido (ovo frito é complicado de se fazer...) e depois comia alguma fruta. E me sentia bem assim, pois era um dia da semana em que tinha o menor contato possível com os seres humanos....
   Mas na segunda feira não me sentia bem, uma bambeza nas pernas, uma fraqueza... Então decidi voltar a almoçar de verdade no centro da cidade aos domingos: 3km para ir e mais três para voltar, não é longe para quem foi a pé de Ouro Preto até Paraty pelos caminhos da estrada real. 
    E, para a minha surpresa, o trecho do centro pelo qual tenho que seguir no domingo praticamente é vazio, e o contato com as pessoas é quase nulo, ao contrário dos dias da semana, em que temos que ficar nos desviando das pessoas que andam em um ritmo mais lento do que o meu. Como bom fóbico social ando muito rápido pelo centro, a fim de retornar para o meu cantinho da paz. Creio que no domingo 99% das pessoas que estão no centro de Belo Horizonte estão concentradas na Avenida Afonso Pena, frequentando as barraquinhas de comida e artesanato da famosa e tradicional feira hippie de BH.
feira hippie de BH, vista do alto de um prédio na Av. Afonso Pena. 

    Agora vou ao restaurante, faço a minha refeição com tranquilidade, e me sinto melhor fisicamente, pois querendo ou não, um dia sem os nutrientes do arroz e feijão fazem uma falta danada ao nosso organismo. Quando não estava dormindo bem devido aos badernistas, me sentia tão cansado que o simples ato de teclar era um sacrifício e tanto, sem contar que não aparecia nada de interessante para postar por aqui no blog. Espero que venham mais dias assim...

domingo, 16 de julho de 2017

Antipsicóticos e ganho de peso, como evitar

     Em primeiro lugar, gostaria de dizer que as informações contidas nesta postagem são apenas relatos de minha experiência com os medicamentos e as minhas tentativas de não ganhar muito peso no uso dos medicamentos usados no combate da esquizofrenia.
    Não sou nutricionista, médico, apenas sou uma pessoa que tem esquizofrenia e que sempre foi curiosa sobre alimentação, dicas de saúde, um pouco hipocondríaco até, chegando a ler todas as bulas dos medicamentos que usei e alguns que nem cheguei a usar. Afinal, de médico e de louco...
   Gostaria também de dizer que tudo também depende do organismo de cada pessoa, alguns chegam a engordar, outros nem tanto. E ainda temos que lembrar que algumas pessoas podem ter algum problema relacionado à tireoide, que as fazem engordar sem ingerirem muitas calorias.
   Esse humilde blog que vos escrevo, como disse anteriormente, é baseado quase que exclusivamente nas minhas experiências relacionadas à esquizofrenia, aliadas à um breve estudo sobre o assunto, sempre procurando informações em sites confiáveis e também com amigos com os mais variados tipos de transtornos mentais.
    Mas, afinal, por que os antipsicóticos engordam? Eles realmente aumentam o apetite?
    Em primeiro lugar, vamos ao fator que é o mais óbvio de todos: a sedação, a sonolência provocada por esses medicamentos nos deixam menos animados a praticar qualquer atividade física. Menos exercícios, menos calorias gastas...
    E em segundo lugar, que acredito ser o principal fator para o ganho de peso é o aumento do apetite. Os antipsicóticos mais modernos causam menos efeitos colaterais extrapiramidais (as tremedeiras, enrijecimento muscular, movimento involuntário dos músculos da face, etc), mas, em contrapartida tem o ganho de peso como principal efeito colateral indesejável, em boa parte dos casos.
   Ainda não se chegou à uma conclusão exata e definitiva sobre o que realmente causa esse aumento de apetite em alguns pacientes, mas sinto que seja algo relacionado à região do cérebro responsável pela  saciedade, ou algo mais ou menos parecido. A única coisa que sei é que o estômago parece não ter fundo, e no meu caso passei a comer cerca de 50% a mais do que de costume, para ficar saciado.
    Além do prejuízo estético devido ao aumento de peso, os antipsicóticos mais modernos (olanzapina, quetiapina, risperidona, etc), podem causar também aumento significativo nas taxas de triglicerídeos, colesterol e açúcar no sangue. E, também um certo prejuízo financeiro, pois a vontade que dá é de nos empanturrar com massas, doces e tudo quanto é besteirada que encontramos pela frente. Dá vontade de perguntar para o psiquiatra se ele irá pagar a conta da padaria... 
   Mas o que podemos fazer para amenizar essa situação?
   Em primeiro lugar, converse com o seu médico, caso ele seja aberto ao diálogo e seja paciente. Afinal, quem ter que ser paciente são eles...
  No meu caso, tomo vários cuidados, mas, claro, ainda como muita besteira, fui muito mal acostumado quando criança, a minha avó fazia um delicioso pudim de leite. 
      Mas tomo vários cuidados para manter o meu peso de quando tinha  20 e poucos anos, sempre me peso nas farmácias que encontro pelo caminho.
    As minhas dicas são simples e baratas, que qualquer pessoa desprovida de recursos financeiros como eu poderá fazer:
    1- Água
       Tome bastante água, de preferência meia hora antes e duas horas depois das refeições. Enquanto você está desfrutando daquele rango gostoso da mamãe pode beber água sim, mas somente o suficiente para a comida descer goela abaixo e você não ficar engasgado com aquele feijão tropeiro de sábado. Aqui em Beuzonte se costuma comer o tropeiro também no domingo, na segunda, na terça, na quarta... 
   Não precisa cronometrar o momento de beber a água, não precisa ser exatamente meia hora antes ou duas horas depois, é só uma base mesmo. Dizem que se tomarmos água meia hora antes das refeições conseguir "enganar" o cérebro, pois o mesmo passa a informar ao organismo que o nosso estômago está cheio. E depois das refeições podemos tomar a água quando sentirmos que o alimento foi digerido, para não ficarmos olhando o relógio a todo momento. 

2-Fibras
    Por que as fibras estão na lista, logo em segundo lugar? Vou tentar explicar, de uma maneira simples também, que é costume neste humilde blog. 
      Desde os 16 anos que consumo as fibras. Conheci as vantagens de consumi-las ao ler um livro antigo sobre  alimentação natural. São tantos benefícios para a nossa saúde que não irei relatá-los todos aqui nesta postagem. Mas o principal que sinto é a saciedade que elas nos dão. Sinto que algumas fibras "incham" dentro do meu estômago e quase não sinto fome na parte da manhã, pois faço uma vitamina, que não fica muito saborosa, mas que me faz sentir muito bem, principalmente por ajudar na prisão de ventre. É uma gororoba muito ruim, que batizei de "ração" antes mesmo de aparecer aquela moda da ração humana. O gosto deve ser parecido com ração de cavalo ou cachorro.
  Então vamos à receita da ração humana que é "animal" do esquizo:
  Primeira coisa a se providenciar é um pote grande, para armazenar os seguintes ingredientes:
    -500gr de aveia
    -500gr de gérmen de trigo
    -200gr de farelo de trigo
    -1kg de leite de soja (fica a critério da pessoa usar o leite de soja ou não, pode usar leite comum)
Obs: pode-se diminuir a quantidade da mistura, mas procure manter a mesma proporção. O leito de soja tem que ser o que vem com sabor, pois se usar o sem sabor vai ser difícil de descer pela goela. 
 No lugar do leite de soja, pode usar qualquer outro artifício para melhorar o sabor da mistura, isso depende de cada um, pois também ultimamente se comenta muito que a soja pode fazer mal a nossa saúde, principalmente se for a transgênica.
    Agora é só ir colocando os ingredientes dentro do pote aos poucos, e ir misturando, para que fique tudo bem homogêneo. 
    Com a mistura pronta, coloque um copo de água americano no liquidificador Depois coloque quatro colheres de sopa (ou menos) da mistura, bata tudo e tome rapidamente, pois fica ruim pra caramba. Não se esqueça de sempre tomar muita água, pois as fibras sem a água podem fazer efeito contrário e congestionar ainda mais o intestino, funcionando como uma rolha. Também pode se colocar alguma fruta para melhorar o sabor, mas acho um desperdício, melhor tomar tudo rápido mesmo e depois saborear a fruta sozinha
    Com essa ração sinto menos fome, o meu intestino passa a funcionar muito melhor, sinto-me um pouco mais disposto e melhor na questão muscular. 


3-Limão com água morna
     Há muitos anos que ouvi falar que limão com água morna emagrece. Resolvi testar essa dica, pois devido ao meu problema no pé tenho feito poucos exercícios físicos. Estou tomando há alguns meses e não cheguei a emagrecer significativamente, mas noto que diminui um pouco o índice de gordura corporal, pois tenho comido muito ovo cozido e notei que em algumas partes do corpo as gorduras deram lugar à alguns músculos, principalmente no braço e nas pernas. Tenho 48 anos e posso dar o tchauzinho sem muita preocupação, já a gordura da barriga já é de nascença, apenas deu uma pequena melhorada, com algumas abdominais também. Dizem que se colocar bicarbonato de sódio nessa água os efeitos são ainda melhores, mas recomendo que pesquisem bastante antes de tomar

                                             4- Substituição dos alimentos
      Essa também é uma dica simples e que vejo sempre dar resultado, pelo menos no meu caso. É difícil, mas devemos tentar substituir aquela linda e deliciosa pizza por frutas, de preferência aquelas que dão aquela saciedade; maçã, banana, abacaxi, laranja, etc... 
    Também são bem vindo o iogurte, a granola, gelatina, etc...
    Não devemos confundir regime com privação alimentar, devemos trocar os alimentos e não parar de comê-los. 
    E na internet se encontra ótimas receitas de alimentos menos calóricos e mais saudáveis, já vi até dica de leite condensado saudável. Tem também dicas de pães e bolos sem farinha. Enfim, inúmeras possibilidades de forrar o nosso estômago quando ficamos famintos por causa dos antipsicóticos.
Mas não vou me estender muito nessas receitas,  pois o máximo que aprendi a fazer até hoje foi ovo cozido. A minha tentativa de fazer ovo frito foi um pouco traumática...


       5- Exercícios físicos

    Essa última dica provavelmente seja a mais difícil de ser seguida para quem usa antipsicóticos, devido à sonolência que eles costumam causar. Claro que tudo depende da dosagem e do organismo de cada pessoa. Mas, se de manhã sentes muito sono, nada impede de que faça alguns exercícios à noite, quando estiveres mais disposto.
    Só quem tomou algum antipsicótico é que pode dizer o quanto ficamos cansados, lentos e sonolentos, e às vezes essa dica pode até soar como uma ironia ou algo parecido. Alguns antipsicóticos que tomei me fizeram sentir que estava com uma "dengue permanente". Mas como disse e volto a repetir, tudo depende da dosagem. Talvez o psiquiatra possa diminuir a medicação, caso sinta que seja possível ao notar que o paciente está mais estabilizado. 
    Acima coloquei a imagem da galera andando de bicicleta pois se pudermos aliar a prática de exercícios com a diversão tudo sairá de uma forma mais leve e fluída. No meu caso, jogo um futebolzinho e nem sinto o tempo passar. Além de tirar o stress, a pelada ajuda a botar todos os pensamentos negativos para fora, juntamente com o suor. 
    Sempre seguir essas dicas e hoje em dia estou apenas com um quilo a mais do que quando tinha 25 anos, no momento estou pesando 83kg mais ou menos bem distribuídos em 1.78m de altura. Gosto de me cuidar nessas questões, mas não me privo de um delicioso pudim de leite, de um doce de leite, de um rocambole e de outros quitutes mais da culinária mineira.
      Sinto também que o ômega 3 ajuda na redução do peso.
      https://drrocha.com.br/omega-3-emagrece/