quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A mania de perseguição que me persegue 3

    Nove horas da manhã. Ligo o computador e, ao abrir a caixa de emails, me deparo com uma boa notícia:  o primeiro pedido do meu livro, "Mente Dividida Memórias de um esquizofrênico". Feliz, tomo um banho para tirar a ressaca do diazepan e vou para a agência bancária sacar o dinheiro, para imprimir o livro e enviá-lo para a pessoa que fez o pedido.
   Mas, após inserir o cartão e digitar a senha, a seguinte mensagem aparece na tela: "Saldo insuficiente". O saldo insuficiente foi o suficiente para me deixar agitado e logo mil pensamentos invadem minha mente, imaginando que um hacker teria  roubado os dados da minha conta, apesar dos inúmeros cuidados que tomo ao navegar na internet.
  Falar que entrei em pânico não seria exagero, e, depois de vários anos, fui obrigado a tomar um comprimido de diazepan durante o dia para serenar os meus pensamentos. Já estava imaginando as pessoas que fizeram os pedidos me xingando e reclamando por não terem recebido o livro, pois o suposto hacker estaria subtraindo o dinheiro da minha conta. 
    Cheguei a pensar que teria que abandonar a ideia de vender o livro e teria que devolver o dinheiro para as pessoas que haviam feito os pedidos. Fiquei refletindo  qual seria a solução para a minha vida, se teria que voltar a tomar os velhos medicamentos dopantes que me deixam mais parecido com um robô. Pensei em vender o pc e abandonar o mundo virtual, pois a ideia que estou sendo monitorado enquanto navego na internet ainda não saiu completamente da minha cabeça. Sonho em um dia em ganhar na loteria, mas não para ostentar luxo e sair por ai andando com carrões, e sim para não depender tanto das pessoas, que, para mim, não são totalmente confiáveis. 
    São quase dez horas e as funcionárias do banco começam a aparecer. Fico na fila para tentar falar com uma delas para saber o motivo do dinheiro não ter aparecido em minha conta. Depois de meia hora a atendente me dá uma senha para ser atendido. Já dentro do banco, começo a me sentir um pouco desconfortável. Agências bancárias são lugares em que não me sinto bem, creio que a desconfiança das pessoas em relação ao dinheiro me faz mal. Sem contar que tenho a impressão que os seguranças estão sempre me encarando e me achando um provável assaltante de bancos. Como bom esquizofrênico que sou (se é que existe bom esquizofrênico), tenho a sensação de que estou sendo vigiado por câmeras o tempo todo. Quer dizer, a realidade é que no mundo atual estamos sendo monitorados por câmeras em quase todos os lugares públicos, mas a sensação que tenho é que elas são em número muito maior, por causa das minhas paranoias. 
    Penso em tomar um outro diazepan, mas desisto da ideia, pois não quero ficar com sono durante o todo o dia. Olho para o vigia e a sensação que tenho é que ele está pensando que estou agitado por estar planejando algum roubo e que tenho algo em minha pasta. Procuro respirar fundo para dar uma oxigenada em meu cérebro e, como não estava me sentindo bem, peço então para ser atendido naquele momento, pois não iria aguentar esperar muito tempo. Os funcionários do banco foram compreensivos e fui atendido prontamente. 
    A funcionária do caixa, ao ver o comprovante do depósito, me informou que o dinheiro demora um dia para cair na conta, pois quem fez o depósito tinha conta em outro banco. Fico aliviado e a ideia que um hacker teria invadido o meu pc vai logo se dissipando em meus pensamentos. 
    Volto pra casa mais tranquilo, mas um pouco triste por ainda viver essas situações de stress devido as minhas paranoias. É uma decisão que tomei, a de não tomar os antipsicóticos mais fortes, ou dopantes, que deixam a minha mente tranquila, mas que por outro lado me deixam completamente desanimado, sem vontade de fazer nada. Provavelmente, tomando os medicamentos indicados pela psiquiatra, não teria ânimo suficiente para postar os vídeos no youtube e nem escrever o blog e muito menos o livro. 
    Não estou aqui querendo afirma que os antipsicóticos são todos dopantes e que não passam de uma lobotomia química. Não é isso. Conheço amigos portadores de esquizofrenia que estão indo bem com os medicamentos e estão levando uma vida bem próxima do normal. É que cada pessoa reage de uma maneira diferente aos remédios e eu, infelizmente, não  me dei bem com nenhum deles. A psiquiatra do sus já tentou todos os medicamentos possíveis e não deram resultado. Aliás, até deram, mas como disse, fico com a sensação de que estou com dengue, tamanho é o desânimo. Não tenho condições de pagar um psiquiatra particular e comprar os medicamentos de última geração, que chegam a custar seiscentos reais ou mais uma caixa. 
    Como não sou agressivo e nunca tive alucinações em que as vozes dão ordens de comando para fazer mal as pessoas, creio que posso ir seguindo por esse caminho, em que é preciso ter um certo autoconhecimento e me policiar constantemente. 
    Muitas pessoas, ao verem os meus vídeos no youtube, pensam e chegam a comentar que estou super bem, que superei totalmente os meus problemas, mas não é bem assim. A esquizofrenia é uma guerra em que todo dia é uma batalha a ser vencida, pois ainda não existe cura para essa patologia. Claro que hoje em dia estou bem melhor do que nos primeiros surtos, aprendi a lidar melhor com esse transtorno, pois, como disse antes, tenho que me policiar frequentemente para saber se os meus pensamentos são frutos das minhas paranoias ou se é algo aceitável para uma pessoa considerada normal para os padrões da sociedade moderna. 
   Nem todos os dias são assim, estressantes. Passo por períodos de calmaria e até chego a esquecer que tenho esquizofrenia. Tenho esperança que esses dias se tornem cada vez mais frequentes até conseguir eliminar de vez todas essas paranoias, e assim mudar o título do blog para memórias de um ex esquizofrênico. 


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Como adquirir o livro Mente Dividida Memórias de um esquizofrênico (agora também em PDF)

   

     Bem, após um ano e cerca de oito meses, finalmente consegui terminar o livro e disponibilizá-lo para as pessoas. Não é o que eu queria, gostaria que fosse um livro com uma editora, revisado e tudo mais. Mas infelizmente não tenho condições para isso e, como não gostaria de deixar de registrar a minha relação com a esquizofrenia, resolvi disponibilizar o livro encadernado. O resultado ficou bom, a capa é colorida e o formato é o A5, do tamanho de um livro normal mesmo. Não gostaria que o livro fosse no formato grande, o A4, pois ficaria parecendo uma apostila.
    O livro não é uma autobiografia, pois não sou uma celebridade, ele conta a minha relação com a esquizofrenia, desde a infância, passando pelos momentos mais difíceis (os surtos) até os dias de hoje, em que procuro ajudar da melhor maneira possível as pessoas que estão passando hoje o que passei naqueles anos terríveis. A maior parte do livro é dedicada aos surtos, pois foi uma história diferente das demais que falam sobre a esquizofrenia. Não tive condições de pagar uma pessoa capacitada para revisar o texto, mas acho que o resultado ficou bom, apesar de não ser um escritor. Espero que gostem e aceito críticas construtivas, tanto por email, ou nos comentários abaixo, afinal o livro pode ser modificado em uma ou outra pequena coisa, mas a essência dele é essa mesmo, após inúmeras revisões que fiz.

O preço do livro é  32 reais, (127 páginas) já incluindo as despesas dos correios.
Para adquiri-lo basta fazer um depósito na conta:
Julio Cesar dos Santos de Oliveira
    Caixa Econômica Federal
   Julio Cesar dos Santos de Oliveira
   Agência 2332 Ipatinga MG
   Caixa Econômica Federal
   Operação 013
   Conta 00035331-3
Além das agências da caixa, o depósito também pode ser feito em qualquer lotérica do Brasil.
Também é possível adquirir através de transferência bancária. 

    Assim que fizer o depósito, mande um email para juliocesar-555@hotmail.com , com uma foto ou scanner do comprovante do depósito, juntamente com o nome e endereço completos para que eu possa enviar o livro via correios.
    O depósito também pode ser feito pela internet, mas, antes, me enviem um email para que eu possa fornecer o número do meu cpf, que é exigido nessa operação. 

    
Livro no formato PDF
Agora você pode adquirir o livro no formato PDF. O valor é 10 reais, e é enviado por email.
    Após fazer o depósito ou transferência, mande-me um comprovante do mesmo, que enviarei o livro para o seu email. 
     Qualquer dúvida poderá ser colocada nos comentários ou enviada por email que responderei.
    Algumas pessoas talvez possam estar pensando: "Ele está querendo ganhar dinheiro com o livro!" Não vou mentir, se der para ganhar algum dinheiro, ficarei satisfeito, sou um ser humano normal e preciso de dinheiro para pagar minhas contas, mas, sinceramente a minha intenção principal não é essa. Só gostaria de deixar registrada essa história que muitas pessoas, ao ouvi-la, me recomendaram que eu a escrevesse. E foi o que eu fiz, ao longo de quase dois anos.
    Espero que gostem do livro e que também possa ajudar as pessoas que estão passando por momentos difíceis com esse mistério que ainda é a esquizofrenia.

Prefácio

   "Decidi escrever este livro sem nenhuma pretensão de criar um manual de como se lidar com a esquizofrenia. Não tenho a fórmula para isso. Aliás, nem os mais renomados psiquiatras as têm, apesar do grande avanço da medicina nos últimos anos. A frase mais lúcida sobre a esquizofrenia que eu já li é a do autor do livro “Cadê a minha sorte?”, e que diz o seguinte: “não existe a esquizofrenia, e sim as esquizofrenias”.  Ou seja, cada caso é um caso. O que aconteceu comigo talvez não possa servir de referência para outros casos desse transtorno, que ainda é um mistério para a ciência.
 Também não considero o livro uma autobiografia, pois não sou uma celebridade, um herói ou um exemplo de vida a ser seguido. Tampouco gostaria que este livro despertasse o sentimento de pena nas pessoas que o lessem. Resolvi escrever este livro a pedidos de amigos que tenho, tanto na vida real como no mundo virtual. Quando me perguntavam sobre a minha ocupação, eu não mentia e contava o que havia acontecido em minha vida para que eu me afastasse do trabalho aos trinta e três anos de idade. Não tinha receio nenhum em falar que era portador de esquizofrenia. Algumas pessoas não acreditavam no meu relato, outras chegavam a rir e algumas me sugeriram escrever um livro. Também achei interessante escrever este livro, pois ele pode servir de alerta para os pais em geral, de crianças que tenham algum comportamento estranho. Geralmente, os pais atribuem alguns comportamentos estranhos à imaginação fértil das crianças. E atitudes como o isolamento e a rebeldia são sempre consideradas coisas de “aborrecentes”.
Acho também que esse livro contém uma mensagem legal de solidariedade, que ainda existem pessoas bondosas neste mundo. Sem a ajuda dessas pessoas, certamente eu seria mais um morador de rua com esquizofrenia não tratada.
Hoje, com um pouco mais de consciência sobre a doença, me sinto mais preparado para escrever sobre a minha relação com o transtorno e tudo o que passei em virtude de minhas crises.  É a história de um cara que, sei lá por que razão, nasceu com predisposição à esquizofrenia e que, juntamente com uma vida complicada, resultou em uma estranha história: alegre, trágica, ou, melhor dizendo, tragicômica. E por que não também uma história cheia de aventuras, pois, quando essa patologia apareceu em minha vida, ela se tornou um enredo de idas e vindas por um mundo desconhecido chamado esquizofrenia"

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Religião: ajuda ou atrapalha?

    Bem, em primeiro lugar, gostaria de dizer que a minha intenção neste post não é discutir religião de uma maneira geral, e sim comentar a relação esquizofrenia e religião, apenas isso. Não estou aqui para dizer se está ou aquela religião é melhor do que a outra, ou se a própria religião fez mais mal do que o bem para a humanidade.
    A palavra religião vem do latim "religare", ou seja, sua função é, ou pelo menos deveria ser ligarmos novamente a Deus.
    Não vou me colocar em cima do muro, não vejo nada de mais em uma pessoa frequentar uma igreja desde que seja por vontade própria e não por medo de um Deus cruel e castigador que algumas igrejas criaram. Alguns pastores falam mais no diabo do que em Deus em seus cultos, usando o medo para conseguir mais fiéis. Outros, usam a falsa promessa do sucesso financeiro se frequentarem uma certa igreja e que Deus lhe dará em dobro tudo o que for oferecido para essa igreja. Como disse que não ia ficar em cima do muro, vou dizer o nome dessa igreja, apesar de saber que nem precisava, pois todos já sabem de qual igreja estou falando: é a famosa igreja universal do reino de Deus. Fui lá em um período difícil de minha vida, e o pastor na época me pediu apenas quinhentos reais para enviar uma carta para a fogueira santa de Israel. A promessa seria que, se a minha carta  fosse queimada em Israel, o pedido que estaria dentro dela seria realizado. Será que pelos correios não sairia mais barato? Deus só atende os pedidos feitos em Israel?
    Outra igreja que me decepcionou e muito foi a reino dos céus. Foi no período em que estava morando nas ruas de Belo Horizonte, devido ao meu primeiro surto psicótico. Certa manhã, estava sentado na calçada quando um membro da igreja me chamou para participar do culto. Contei-lhe que era apenas um morador de rua e ele me disse que poderia entrar do mesmo jeito. No final do culto, o pastor, mesmo sabendo de minha situação, sugeriu que eu fizesse um "pacto" com Deus e que oferecesse vinte por cento de tudo o que eu ganhasse para a igreja. E, como vinte por cento de nada é igual a nada, fui embora da igreja um pouco decepcionado.
    Mas, como já disse em um post anterior, fui muito ajudado por pessoas ligadas à espiritualidade, sejam elas católicas, evangélicas, espíritas. Não sou daqueles que só sabem criticar, elogio também e sou muito grato a todos que me ajudaram. Até hoje guardo uma bíblia que ganhei de um simpático casal de evangélicos. Um padre me atendeu muito bem em um momento em que eu queria somente conversar. Fui atendido gratuitamente por um pastor que era psicólogo também. Também não posso de dizer que grande parte das pessoas que me ajudaram não me falaram sobre religião, foram solidárias comigo acho que por esse sentimento já estarem em seus corações.
   Resumindo, eu não vejo nada demais se a pessoa se sente bem em uma igreja, desde que não seja explorada financeiramente e que não usem o medo para mantê-la na igreja. O medo de um Deus castigador e que, quem não o segui-lo irá queimar infinitamente nas chamas do inferno, simplesmente por não ser um santo. Alguns religiosos dizem que não existe diferença entre os pecados, ou seja, não existe pecadinho e nem pecadão, é tudo igual.  Isso me faz refletir e muito, pois não sou santo, tenho meus defeitos, mas não gostaria de ser comparado a hitler e nem receber a mesma punição que esse maluco.
    Mas acho saudável as pessoas se reunirem por terem as mesmas crenças. Fazer amizades, retiros espirituais, dar a sua contribuição financeira para a igreja, tendo a certeza que o dinheiro será usado somente para a manutenção da igreja e para obras de caridade. Não importa se é uma seita ou religião, se é budista, hindu, católico, evangélico. Se a pessoa se sente melhor indo a uma reunião dessas, o que que tem demais? Tem gente que se sente bem em um baile funk, ouvindo o bate estacas e tomando um energético.
    Eu não vou entrar na polêmica sobre as guerras motivadas pela religião, pois é um assunto polêmico e esse post não iria ter fim nunca.
    Bem, já que acabei falando um pouco sobre o que eu acho sobre religião, vou comentar mais especificamente a relação que ela tem com a esquizofrenia. Infelizmente, alguns pastores, por falta de conhecimento ou por ignorância mesmo, pensam que um surto psicótico é uma possessão demoníaca, chegando a agredir o ensurtado para tirarem do corpo dele o suposto espírito maligno.
    Eu sofri um pouco disso na pele. Quando estava ensurtado, dois evangélicos disseram que eu estava com demônio no corpo. Desesperado, no mesmo dia fui a um culto evangélico para tirar o tal espírito. Lembro-me que naquele dia várias pessoas em minha volta caíram e eu, nada, continuava em pé. Cheguei a pensar que o espírito que estava em mim era muito difícil de ser tirado e então decidi que só tirando minha vida conseguiria resolver aquela situação. Felizmente, como podem perceber, a tentativa de auto extermínio( olha eu falando que nem médico) foi frustrada. Esses detalhes todos eu conto no livro, em breve colocarei como adquiri-lo.
    Acho que os pastores deveria se preparar melhor, tendo algumas noções de psicologia e comportamento humano. Acho que alguns até tem alguma noção de psicologia, mas com o intuito de arrecadar dinheiro, de persuadir a pessoa a fazer generosas contribuições para a igreja.
   Os portadores de epilepsia sofrem muito com a doença, e ainda mais se começam a frequentar igrejas com pastores mal preparados. Geralmente os ataques epiléticos são confundido com possessão demoníaca, e algumas pessoas são até agredidas.


Igreja Universal é condenada por agressões contra fiel com epilepsia




http://br.noticias.yahoo.com/igreja-universal-%C3%A9-condenada-agress%C3%B5es-fiel-epilepsia-185110790.html


    Em geral, nós, esquizofrênicos, questionamos o que de mal fizemos para merecer esse transtorno chamado esquizofrenia. Eu mesmo chego a pensar se é uma punição por algo que fiz nesta vida ou em outra encarnação(se existir). A religião, em alguns casos, tem que ser cuidadosamente administrada, na dose certa, sem fanatismo, pois pode causar um efeito contrário em uma mente ensurtada. Algumas pessoas chegam a se revoltar contra Deus por terem esquizofrenia pensando que é um castigo divino. Mas não, a esquizofrenia é apenas uma patologia, como a diabetes, só que em um órgão mais complexo. Hoje em dia se troca o coração, o fígado, os rins, mas o cérebro...
    Antes de terminar, gostaria que os evangélicos bem intencionados não se indispusessem contra mim, pois as minhas críticas foram direcionadas a uma minoria que, infelizmente fazem muitos estragos a humanidade, explorando a boa fé do povo.
    Gostaria que todos fossem felizes, cada um com sua crença e respeitando a escolha dos outros. Às vezes nem é uma escolha, e a cultura de um povo mesmo que se mistura com a religião, e não sabemos onde começa uma e termina outra. Como poderíamos ser católicos na Índia? Provavelmente, se tivéssemos nascido naquele país, estaríamos idolatrando a vaca e não iríamos matar um rato pensando que poderia ser um parente reencarnado, sei lá. E se eu nascesse em um país de religião muçulmana e que fosse daqueles extremistas, não pensaria que,  se morresse como um homem bomba e tirando a vida de pessoas com pensamentos diferentes, não iria para o paraíso? Claro que não estou falando de muçulmanos que praticam sua fé pacificamente, eu não sou um profundo entendedor dessa religião, mas sei que existem muçulmanos que são pacíficos. Infelizmente, a imagem que vem em nossas mentes mentes quando se fala nessa religião é a de atendados violentos.
   A minha intenção ao falar sobre religião, é somente em relação a esquizofrenia e outros transtornos mentais, para que as pessoas não julguem uma pessoa em crise como estando possuída por um espírito qualquer, pois isso só piora a situação.
    Enfim, é um assunto tão complexo que, quanto mais nos aprofundamos no assunto, mais interrogações aparecem em nossas mentes. Por isso o ditado: "Religião não se discute!"
-obs: se puderem, votem na enquete, isso ajuda bastante a tirar muitas dúvidas.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Sentimentos: falar ou não falar?

    Essa semana a imagem circulou no facebook essa frase do Dr. Dráuzio Varella e meu pus a refletir: devemos ou não falar dos nossos sentimentos?
    A resposta é: claro que sim! Não é pior do que emoções reprimidas, engolir sapos. Deixar de contar o que sentimos pode ocasionar as conhecidas doenças causadas pelas emoções, como a gastrite, por exemplo. Quem nunca sentiu aquele friozinho na barriga, causada por uma grande ansiedade?
   Mas ai vem a questão: para quem devemos falar sobre algo tão íntimo? Para quem confiamos e gostamos, certo? Mas, e se não confiamos em ninguém? O que fazer?
    Realmente pode ser perigoso falarmos de nossos sentimentos e expormos nossas fraquezas para pessoas que não são nossas amigas de verdade. Elas podem usar isso no futuro, caso queiram nos fazer mal. Comigo aconteceu semelhante, só que eu não havia contado uma fraqueza minha para ninguém, apenas tinha o costume de escrever em um caderno, alguns pensamentos, e aquilo funcionava como uma terapia para mim. Infelizmente, algumas pessoas leram o meu caderno, e em uma página eu contava sobre uma fraqueza que eu tinha: eu dizia que uma palavra poderia me feria mais do que uma flechada em meu coração. Essas pessoas que leram o meu caderno contaram o que leram para os vizinhos e ai, o resto vocês já sabem. Muitas pessoas, querendo me desestabilizar, começaram a explorar o meu ponto fraco em várias situações. Hoje posso dizer isso pois, as situações pelas quais passei me deixaram fortalecido e vacinado contra essas pessoas que só querem nos deixar para baixo. 
    Então, se não temos com quem falar sobre nossos sentimentos, o que devemos fazer? Expresse-os de alguma forma, coloque-os para fora, não necessariamente em uma rede social, as pessoas não precisam saber se seus sentimentos. 
    Escreva, mesmo que seja só para você mesmo, ou então faça um blog, não é preciso usar a sua foto, as pessoas não precisam saber quem você é, use um avatar qualquer, uma figura, etc. Não se importe de quantas pessoas estão visitando o seu blog, o importante é que você coloque para fora os seus sentimentos. 
    Algumas pessoas descarregam um pouco de seus sentimentos na pelada de fim de semana, ou do meio de semana também. Não é raro sair uma briga, sempre na pelada tem aquele cara chato, que sai reclamando de tudo e quer apitar o jogo. E também menos raros ainda são os palavrões, principalmente quando alguém erra um gol, dá um passe mal feito ou então quando o goleiro toma um frango daqueles. Mas, no final, todos saem amigos e tomam sua cervejinha. Correr, xingar e gritar pode ser uma boa forma de botar esses sentimentos reprimidos para fora. 
    E os metaleiros? Digo os que curtem o heavy metal, não estou falando de quem trabalha com metal. Quem nunca foi a um show de heavy metal, com certeza ficará espantado ao ver aquele monte de gente na roda encenando uma briga, mas, acreditem, é uma simples dança, uma forma de extravasar mesmo. Eu já fui a diversos shows de metal na minha adolescência, e acreditem, tem menos drogas e violência do que em um baile funk. Não estou aqui querendo dizer que todo mundo agora tem que ouvir metal ou jogar futebol para extravasarem seus sentimentos. Eu já passei dos quarenta, e hoje em dia ouço vários tipos de música, além do bom e velho rock and roll. Já não jogo muito futebol, pois agora o pessoal sempre me coloca no gol e não quero ficar levando bolada o tempo todo e, quando tomar um frango, ouvir reclamação da galera.  

      Enfim, existem várias formas de falar sobre nossos sentimentos. O ideal, claro, seria ter alguém em quem pudéssemos falar sobre isso, mas, caso não tenha, encontre alguma forma de falar sobre isso. Seja através da pintura, da escrita, da música, enfim, sempre existirá uma forma de fazermos isso, que, como disse o Dráuzio Varella, ajuda e muito a não nos adoecermos. 

-Obs: em relação ao livro, em breve estarei colocando no blog como adquiri-lo, o meu cartão ainda não chegou, mas ele já está pronto, dei uma última revisada nele, e estarei distribuindo-o pelos correios. 
Até o próximo post e não reprimam seus sentimentos. 


sábado, 11 de agosto de 2012

De quem é a culpa?

    Ao ouvir a Fabiana Murer dizer que a culpa de seu mau desempenho nas olimpíadas era do vento, comecei a refletir sobre como tentamos achar um culpado para nossos erros e fracassos.
    Não entendo nada de salto com vara, talvez até o vento tenha atrapalhado mesmo, a única coisa que sei que deve ser difícil pra caramba pular cerca de dez metros com aquela vara.
    Lembrei-me então de um renomado pastor americano, que foi flagrado em um motel traindo sua esposa com uma mulher bem mais nova do que ele.
E o que fez o pastor então? Pôs a culpa no tinhoso, no amornado. Em seu programa de televisão, que era visto por milhares de pessoas em todo o mundo, ele simplesmente disse que a culpa era do capeta, que o ficava tentando o tempo todo. Por que ele não disse: "Eu errei, não resisti a tentação da mulher, fui um fraco". Será que é tão difícil assim assumirmos a nossa culpa e dizer que somos seres humanos e que somos passíveis de erros?
    Imagina se a moda pega? O meu sonho de consumo atual é ter uma TV LCD, de 32 polegadas. Toda vez que passo nas lojas, não tiro os olhos das TV's que estão no mostruário, sonhando que estou em minha cama assistindo os meus programas favoritos em uma delas. Poderia simplesmente pegar uma e, sem mais nem menos, levar uma para casa. Se, por acaso, um policial me interpelasse, diria que foi o tinhoso que me atentou e que não tinha culpa de nada. Teriam então que chamar o caça fantasmas para prenderem o verdadeiro culpado da situação.
    Mas, a minha consciência me impede de fazer certas coisas. Certo dia, estava na casa de um amigo quando ele deu uma saída e deixou seu notebook ligado. Resolvi abrir o hotmail, para olhar os meus emails, mas, para minha surpresa, ele deixava o seu email e sua senha preenchidas no messenger para abrir o programa com mais rapidez. Por um momento, cheguei a pensar em abrir os seus emails e vê-los. Cliquei no ícone do programa, e, enquanto os bonequinhos iam girando, uma batalha se travou em minha consciência. De um lado, o diabinho me atentava:
    - Vai em frente, não tem nada demais olhar os emails do seu amigo!
 Mas, do outro lado, o anjinho aconselhava:
    - Não faça isso, você gostaria que fizessem isso com você?
    Imediatamente cancelei a entrada no messenger e não quis mais ler os  emails do meu amigo. Felizmente, no meu caso, o anjinho sempre sai ganhando nessa batalha interna que é a nossa consciência.
    Os jogadores de futebol são os campeões das desculpas. Quando perdem, geralmente dizem:
    - O gramado estava muito ruim para a prática do futebol.
    - Estava chovendo muito e estava difícil de tocar a bola.
    Mas o campo não estava ruim para os dois times? Não estava chovendo para todo mundo? Seria mais legal se dissessem:
    - Jogamos mal e o adversário foi melhor.
    O nosso piloto de fórmula 1, o Massa, também é um campeão de desculpas, e o acerto do carro é sempre o culpado por ele não estar chegando entre os primeiros. Mas seu colega de escuderia, o Fernando Alonso, tem o mesmo carro e está liderando o campeonato. O nosso piloto, quando  vai bem, chega em décimo lugar. E a desculpa é sempre a mesma: o carro.
    Por que ele não diz que não é bom o suficiente para chegar ao pódium assumindo que precisa melhorar e muito para se tornar um grande piloto? Sinceramente, o Massa está me fazendo sentir saudades do Rubinho Barrichello. Pelo menos o Rubinho estava sempre entre os primeiros. Está certo que ele não ganhou muita coisa, quer dizer, até ganhou na verdade. Só ganhava cerca de doze milhões de reais por ano, para ser o segundo piloto da Ferrari. Ele conseguia estar em primeiro lugar, mas, por ordem da equipe, deixava o piloto número um, o Schumacher, passar. E por causa disso era massacrado no Brasil. Mas, e se fossemos nós, o que faríamos? Com aquela grana toda, deixaria o alemão ou qualquer outro piloto passar, sem problema algum. Fazia parte do contrato ajudar o piloto número um a ganhar as provas. Criticar é fácil.
    Mas, deixando  os esportistas de lado, penso em minha relação com a esquizofrenia. Tenho que me policiar constantemente e fazer algumas auto análises. Tenho que saber distinguir se algumas reações minhas tem alguma razão ou se são frutos de uma mente incomodada com alguns sintomas da esquizofrenia.
    Acho que todos já sabem, não gosto de som alto, trabalhei com isso dezessete anos de minha vida. Confesso que sou um pouco chato em relação a isso, pois frequentemente peço aos vizinhos que diminuam o volume de seus aparelhos de som. Mas faço isso de uma maneira educada.
   Várias vezes faço uma auto análise para que eu possa me dar melhor com a esquizofrenia. Me importo muito em não ser uma pessoa desagradável por causa da patologia, pois ninguém tem culpa de eu ter nascido com esse transtorno. Não sou agressivo e não me irrito com facilidade, mas tenho que me policiar para, quando isso acontecer, saber distinguir se isso não foi uma irritação normal ou se foi fruto de minhas paranoias.
    Como moro em um "apertamento" diversas situações me tiram do sério: som alto, fumaça de churrasco, o zun zun zun de madrugada, vizinhos não muito chegados a limpeza,etc. Antes de reclamar, tenho que analisar a situação para ver se a minha reclamação procede ou não. Se caso afirmativo, tento dialogar com os vizinhos da melhor maneira possível. Claro que não um exemplo de paciência, confesso que cheguei a me estressar certa vez ao ouvir funk por várias horas seguidas. É difícil morar em um "apertamento", ainda mais sendo esquizofrênico, pois a "solitude" acaba se tornando uma necessidade em minha vida.
   E, após morando sete anos neste mesmo local, chego a conclusão que sou um vizinho exemplar, Nunca deixei que minhas paranoias fossem desculpas para um ataque de nervos ou para discutir com algum vizinho.
    Sou apenas um pouquinho chato em relação ao barulho. Mas sempre procuro respeitar os vizinhos em relação à esse assunto, procuro ouvir minhas músicas em volume baixo, não posso obrigar os meus vizinhos a terem o mesmo gosto musical que o meu. Não faço barulho de madrugada e também sempre procurei resolver os problemas na base do diálogo, ao contrário de outros vizinhos que chegam a resolver suas pendengas na porrada mesmo. Apesar de ser esquizofrênico, sou um bom vizinho, afinal, sou um pacato cidadão, que procura respeitar o espaço de cada morador do apertamento em que vivo.

Para completar este post: o Brasil acabou de perder no futebol a medalha de ouro para o México. O "técnico" mano menezes já tinha a desculpa pronta para a derrota, ao dizer antes da partida que o México estava melhor preparado. Isso para mim é mais uma desculpa esfarrapada, pois, infelizmente, o Brasil tem que depender de um jogador cai cai, que só joga em seu clube. Essa é a verdade. Neymar joga muito no santos, mas na seleção....
http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2012/08/08/mano-diz-que-mexico-e-o-time-que-melhor-se-preparou-neymar-alerta-para-filho-de-brasileiro.htm

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O livro


Depois de tanto analisar os meios para se publicar um livro, cheguei à conclusão de que a forma mais prática e que está ao meu alcance é a encadernação do meu livro. Gostaria de publicá-lo no formato de livro mesmo, tudo bonitinho e tal, mas infelizmente as editoras cobram um alto preço por isso. Para falar a verdade, nem acho o preço tão alto assim, eu que ganho pouco mesmo.
O livro está pronto, só estou dando a “última revisada final”. Acho que sou um pouco perfeccionista e acho sempre que posso melhorar em alguma coisa. Mas, vou publicar este livro o mais rápido possível, pois foi uma tarefa um pouco desgastante relembrar todos os acontecimentos, não por causa do sofrimento, mas o fato de tentar organizar todos os pensamentos confusos que tive foi um pouco complicado.
O próximo passo será abrir uma conta poupança. Quem puder e quiser me ajudar nessa parte é só entrar em contato comigo, por email, por telefone ou pelo facebook mesmo. É só clicar em contato no menu na parte de cima do blog.
Desde já agradeço a todos que estão me dando essa força para realizar esse sonho, mesmo que de uma maneira simples.
Gostaria de saber a opinião de vocês em relação ao título, se ficou bom. Pois, é assim que sinto que minha mente fica durante um surto psicótico, entre a realidade e as alucinações. Quanto a figura da capa não sei de quem é a autoria. Alguém sabe me dizer quem a criou ou se ela já foi usada para outros fins?

Complexo messiânico


    Complexo de messias é um estado psicológico no qual o indivíduo acredita que ele ou ela é ou está destinado a se tornar o salvador de algum campo de atuação específico, grupo, evento, período de tempo ou até mesmo do mundo inteiro.
    Afligidos pelo Complexo de Messias louvam sua própria glória ou alegam absoluta confiança em seus próprios destinos e capacidades e nos efeitos que terão sobre um grupo de pessoas ou aspecto da vida. Em alguns casos o complexo de messias pode estar associado à esquizofrenia onde a pessoa ouve vozes, tem alucinações e acredita que é Deus, espíritos, anjos, deuses ou outros que falam com ele o que, na visão da pessoa, confirmaria sua messianidade. Nos casos mais graves, pessoas com Complexo de Messias podem se ver literalmente como Messias espirituais/religiosos com poderes transcendentes e destinados a salvar o mundo.
     - Fonte: Wikipédia
Traduzindo: o cara pode chegar a pensar que é o salvador da pátria.

    Ano de 2005. Havia acabado de receber do psiquiatra o laudo para que eu pudesse fazer a minha primeira perícia para conseguir o auxílio doença, depois de ir para as ruas novamente. Dessa vez fui resgatado por uma assistente social, que me levou para o albergue da cidade de Ipatinga. Assim que sai do consultório, li a folha e finalmente descobri o que atormentava minha mente durante anos e anos em minha vida: esquizofrenia paranoide. Aliás, não havia descoberto o que eu tinha, isso até hoje estou fazendo, pesquisando e aprendendo a cada dia sobre essa patologia. Apenas fiquei sabendo o nome do transtorno que eu tinha.
    Fui direto para a biblioteca municipal tentar encontrar alguma coisa a respeito do assunto. Estava ansioso para saber a razão e o motivo de me sentir uma pessoa diferente das demais.  Na seção de livros sobre psicologia encontrei um Cid antigo e, no capítulo de transtornos mentais, achei F-20, que é o código de classificação dessa patologia. Comecei a ler os sintomas desse transtorno e dois me chamaram a atenção, por eu me identificar muito com eles, mesmo antes dos surtos: o complexo messiânico e o sentimento de culpa exagerado. Não tenho certeza, mas no Cid atual, esses dois sintomas não são mais relatados, o motivo não sei. Me corrijam se eu estiver enganado, por favor.
    Assim que acabei de ler, lembrei-me de situações em que eu apresentava um pouco desse complexo messiânico. Sentia-me um salvador da pátria principalmente quando trabalhava em uma firma de sonorização no interior de Minas. E até que havia um fundo de realidade nisso, pois nessa cidade não havia bons profissionais na área de sonorização e fui contratado para mudar as coisas nesta firma.
    Chegava a trabalhar exaustivamente, operando duas mesas de som ao mesmo tempo, e isso me desgastava muito. Gostava também de me martirizar, ao carregar nas costas enormes caixas de som, que chegavam a pesar cerca de 120 kg. Isso me fazia sentir um pouco Jesus Cristo, carregando sua cruz no calvário.
    Também tinha um enorme sentimento de culpa. Não fui um bom filho. Minha mãe também tinha um transtorno mental, mas, na época não suspeitava disso. Ficava sem entender o motivo dela ficar o dia inteiro calada, em seu mundo, apenas assistindo televisão. Ela apenas balançava a cabeça afirmativamente, como que dizendo que estava entendendo o que falávamos. Ela era um ponto de interrogação, não conseguia descobrir o que ela sentia por mim. Seu semblante não expressava nenhum sentimento ou emoção. Não entendia como ela não fazia nada quando eu chegava em casa machucado e era socorrido pela empregada, que chamava a minha avó para cuidar dos meus ferimentos, pois fui um menino muito bagunceiro. Não conseguia notar nenhuma expressão em sua face quando ela me via machucado e sangrando. Pensava que ela não gostasse de mim, aliás, até hoje eu penso isso, mas agora sei que ela deve ter passado por alguma situação que a deixou daquele jeito.
    Talvez ela tivesse o embotamento afetivo, que é a ausência de emoções, de uma forma simplificada. Hoje eu tenho um pouco disso, a sensação é que os sentimentos não foram embora, mas que estão escondidos em algum lugar dentro de nós. Ela também tinha problemas de audição, mas isso não explicava o fato dela ficar em seu mundo, quase que sem comunicar com as pessoas. Pessoas com essa deficiência se comunicam, ou fazendo gestos e tentando falar alguma coisa, ou então estudam a libras. Só sei que até hoje não sei quase nada sobre minha mãe, só sei que ela sofreu muito comigo, pois não fui um bom filho. Confesso que, quando criança, até por volta dos oito anos de idade, chegava a ser agressivo com ela algumas vezes. A verdade é que eu queria que ela fizesse alguma coisa, que falasse algo comigo, que me corrigisse como a mãe dos meus amigos faziam com seus filhos. Eu chegava a ficar o dia inteiro na rua e ela não me procurava para saber onde eu poderia estar, como as mães dos meus amigos faziam. Não quero aqui dar uma de vítima, de coitadinho, mas a falta de um diálogo com os pais fazem muita falta a uma criança. Sem contar o fato de que não tinha lembranças de meu pai. Mas hoje eu sei que ela tinha seus problemas e que foi uma santa e que sofreu muito com seu filho arteiro.
    O meu complexo messiânico tomou dimensões maiores quando tive meu segundo surto. Estava com 32 anos de idade na época e cheguei a pensar que morreria aos 33. Em alguns momentos pensei que tinha que pregar o evangelho para os moradores de rua e quase pedi demissão do eu serviço, com esse intuito. E, para complicar tudo, meu nome também começava com JC. No segundo surto, sofri muito também, pois morava sozinho e tinha que trabalhar para me sustentar. Foi uma época em que fui muito caluniado e injustiçado, o que me fez sentir mais ainda como Jesus Cristo. Acho que toda pessoa se sente um pouco Jesus Cristo quando é injustiçada. Esses pensamentos messiânicos foram embora quando voltei a tomar a medicação, que estava em falta na cidade na época.
    Outro comportamento messiânico que eu apresentava tinha a haver com a minha vontade de não viver mais neste mundo. Queria morrer, mas não tirando minha própria vida. Queria morrer de uma forma heroica, salvando pessoas ou por alguma causa nobre. Diversas vezes sonhei acordado salvando uma linda mulher de um tiro de revólver. Na cena, eu, ao perceber que a mulher seria atingida, me interpunha entre a bala e o corpo dela, sendo atingido em cheio no coração. No final da cena, ela, colocava minha cabeça em seu colo e dizia que me amava. Eu, apenas balbuciava algumas palavras e depois fechava meus olhos. Acho que estava vendo muitos filmes. rsrsrsrsrs.
    Outro sintoma da esquizofrenia que não está mais no Cid é o sentimento de culpa exagerado. Cheguei a conversar com alguns amigos meus, e eles também me disseram que já chegaram a ter esse sintoma também. Durante o surto, as vozes me culpavam de tudo o que havia de acontecido errado em minha vida. E não era a voz da minha consciência, pois sempre procurei ser uma pessoa correta. Só me culpo de não ter sido um bom filho e um bom neto. Gostaria de ter conversado mais com minha mãe e com minha avó, de ter agradecido a minha avó por ter se sacrificado tanto para pagar os meus estudos.
    Mas a voz durante os surtos me culpava de coisas sem sentido, que estavam completamente fora da realidade. Isso me levou a uma tentativa frustrada de suicídio na época. Acho que, se o atentado nas torres gêmeas nos Estados Unidos tivesse ocorrido naquela época, eu assumiria a autoria do atentado, tamanha era a minha sensação de culpa

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Sonhos interrompidos


  São quatro horas e trinta minutos da madruga. Meu sono é interrompido pelo casal que mora no quarto ao lado, e que geralmente prefere “discutir” a relação nesse horário. 
    No post anterior, me queixei das noites mal dormidas e cheguei a comentar que, no período em que morei nas ruas de Belo Horizonte, tive noites mais tranquilas, mesmo dormindo em pedaços de papelão. Está até difícil de pensar em algo para escrever, pois a discussão me atrapalha um pouco a me concentrar. 
    Essas discussões noturnas me fazem sentir um nada, como se não existisse. A impressão é que eles não sabem que preciso dormir como qualquer mortal. Com muita dificuldade e conversa, consegui convencê-los para que não ligassem o som de madrugada. Se ouvir funk o dia inteiro é difícil, imagine de madrugada.
    Sabem aqueles sonhos em que acordamos e dizemos: “Ah! Que pena, foi só um sonho.” Eu sempre digo isso quando levo um choque de realidade após um sonho prazeroso. Mas, quando sou acordado de um sonho, digo: “Que merda, nem sonhar podemos mais!”.
    São cinco horas e quarenta minutos da madrugada. A discussão parece que não vai se encerrar tão cedo e por isso resolvo pegar uma caneta e papel para desabafar. Sempre escrevi e fiz anotações em cadernos. A diferença é que hoje em dia compartilho com várias pessoas. É como se fosse uma terapia, me ajuda um pouco a aliviar o que está dentro de mim. Morfeu* já foi embora faz tempo e parece que hoje ele não volta mais aqui não.
    Sempre gostei de sonhar enquanto estou dormindo, apesar de não me recordar da maioria, mas, sempre quando sonho, acordo mais leve e animado. Cheguei a anotar os meus sonhos durante um período, deixando um caderno e uma caneta ao lado da cama. Não podia pensar em nada antes de anotar os sonhos, pois eles iam embora dos meus pensamentos rapidamente, ficando somente a sensação de que foi algo bom. A minha intenção em anotar os sonhos era tentar desvendar se eles possuíam algum significado e que poderia nos indicar algo relacionado ao futuro. Já não tenho essas anotações comigo, mas lembro-me que cheguei à conclusão de que não me revelaram nada. Apenas um teve alguma relação com o futuro, mas esse era um sonho rotineiro, que até sonhava acordado, que era o sonho de um dia conhecer o Rio de Janeiro. Tendo significado ou não, só sei que sonhar faz bem, me faz sentir mais leve, ainda mais agora que tenho esquizofrenia.
    Hoje, o que mais me agrada nos sonhos é que a esquizofrenia não viaja comigo nas minhas noites de sono. No mundo dos sonhos, geralmente estou conversando normalmente com as pessoas, sorrindo e, principalmente livre das paranoias. Meu sonho atual não é ganhar na mega sena ou ficar rico, queria apenas me livrar de todas essas paranoias e voltar a ser quem eu era antes e voltar a conversar com as pessoas normalmente.
    Uma das coisas que mais me atrapalham nos diálogos é a sensação de que as pessoas sabem o que eu estou pensando. É uma sensação muito ruim, difícil de explicar. Já foi pior antes, durante os surtos, pois tinha a certeza absoluta que as pessoas realmente sabiam o que se passava em minha mente, tanto que fiquei um bom período sem falar, pois achava que não precisava me expressar verbalmente, era como se fosse telepatia inconsciente. Tenho que me policiar quando vou explicar algo ou simplesmente quando estou conversando com alguém, pois, o simples fato de achar que as pessoas estão roubando o meu pensamento, me faz pensar que não preciso dizer certas coisas. Acho que até faço isso algumas vezes, deixando de mencionar algumas coisas nas conversas, por achar que a pessoa sabe o que estou pensando.
    Durante o meu segundo surto, tive uma fase terrível, pois tinha 100% de certeza de que as pessoas estavam lendo meus pensamentos. Tinha que fugir das pessoas, por que fica insustentável conviver com as pessoas lendo os meus pensamentos a todo instante. Fiquei sem querer brigando com meu cérebro, pois começava a pensar em palavrões e às vezes eu xingava as pessoas mentalmente, era como se o meu cérebro estivesse dividido em dois. Uma parte era a boazinha, e a outra ficava falando besteiras e palavrões. Isso me levou a exaustão, pois minha mente não parava de funcionar um só instante, dias e noites. A parte boazinha brigando com a parte desbocada. Chega até ser engraçado hoje, confesso que agora estou até rindo da situação. A parte desbocada xingava as pessoas e a boazinha pedia desculpas. Mas, fazendo isso sem parar o dia inteiro deixa a pessoa completamente esgotada.
    Olho para a janela e o dia começa a clarear aos poucos. Confesso que neste momento estou sentindo saudades do tempo em que estava nas ruas de Belo Horizonte e que era acordado somente por pessoas dispostas a me ajudarem, quer seja oferecendo algo para comer ou então para uma simples conversa, pois muitos estranhavam o fato de eu estar morando nas ruas, depois que cortei o cabelo e comecei a fazer a barba. 
     Comentei no post anterior que estou pensando em virar um morador de rua por um período de uns vinte dias, para relembrar e registrar os momentos que passei nas ruas e também para documentar no blog como é a vida de um morador de rua.
    Sinceramente, tenho medo de fazer esse registro, pois Belo Horizonte há tempo se tornou uma cidade perigosa para morar nas ruas. Não faltam notícias na TV sobre moradores de ruas que são agredidos e alguns até queimados. Mas o meu pior medo é que eu ache melhor a vida de um morador de rua do que a atual que estou vivendo, e acabe ficando por lá
     Lá, pelo menos eu tinha paz, não pagava aluguel e nem tinha vizinhos que não respeitavam o sono alheio.
Bem, a luz do sol acaba de invadir o meu quarto e o casal vizinho encerrou a discussão. Eles simplesmente trocam o dia pela noite e acham que tenho que fazer isso também. Tenho que ter bastante paciência para conversar e pedir com educação para que respeitem o meu sono. Por falar em sono, vou ver se consigo dormir um pouco agora, o que acho difícil, pois não passei a noite dançando e bebendo, estava apenas sonhando que a esquizofrenia não estava mais em minha mente. 

*Morfeu:(do grego Μορφεύς, "moldador [de sonhos]") é o deus grego dos sonhos.
fonte: wikipedia